10 agosto 2008

PANTOMINA TEATRAL



A apresentação era para ser feita em praça pública mas em função da chuva transferiram para um pátio de uma escola técnica. Na verdade não sei se foi mesmo por isso. A peça, uma pantomina nos moldes do Império Romano, apresenta linguagem chula e gestos obscenos, acho que não ficaria bem em praça pública. De qualquer forma a peça é muito engraçada e tem o título de "O ASNO". No final correram o chapéu para arrecadar algum trocado, afinal eles também vestem e comem.

13 julho 2008

EU QUERIA .....

Os meus "QUERERES": Queria ser inteligente; queria ser mais jovem; queria ter um pouco mais de dinheiro, mas não viver em função dele; queria ter uma vida minimamente estabilizada; queria ser paciente com as pessoas; queria ter a sensibilidade e coragem de dizer `Te amo´; queria ter sempre a coragem de pedir desculpas; queria conhecer o país inteiro e o mundo; queria ver o Dantas, Maluf, Pitta, os Pedófilos malditos na cadeia e com eles os Juízes que os libertam, além de todos aqueles que metem a mão no dinheiro público; queria dar um beijo na minha mãe, que se foi deixando um vazio impreenchível; queria voltar a sentar com o velho Joaquim, meu pai, e rir das coisas engraçadas da vida; queria que você que está lendo meus quereres, fosse muito feliz; queria que todas as crianças fossem tratadas como crianças e que vivessem como crianças; queria me desapegar ao máximo das coisas materiais; queria ter tido infância e soltado pipas; queria ter tido tempo de nadar mais nos rios com o corpo nu, quando criança; queria andar descalso na chuva forte e sentir a água escorrendo pelo corpo; queria ter tempo para ler os livros ainda não lidos; queria que nenhum ser humano precisasse de religião para amar seus semelhantes; queria que parassem de matar em nome de Deus; queria que parassem de odiar em nome de Deus; queria ser mais forte e não chorar com tanta facilidade; queria fazer um filme bonito, emocionante. Há ainda muitos outros quereres, mas por agora basta.

05 julho 2008

VIDA ATUAL DE PROFESSORA

A professora banhou-se rápido, pegou suas anotações e a chave do carro, saiu mastigando um lanche. As ruas do Zona Leste da Capital estavam como sempre congestionadas de veículos, motos e gente. Chegou na escola no horário, mal dando tempo para estacionar corretamente o seu veículo. O guarda abriu o portão como sempre faz e a cumprimenta da mesma forma,com um boa noite. No corredor algumas alunas exibindo piercings no umbigo à vista e espalhados pelo rosto. Riram com a passagem da professora, que fingiu não ouvir, seguindo seu caminho. Num cantinho escuro um casal de jovens beijavam-se acintosamente agarrados um ao outro. No interior da escola as paredes ganharam pixações novas. As portas invariavelmente quebradas não conseguem ficar fechadas. A professora entra em sua sala. As lâmpadas do fundo da sala estão quebradas. Alguns alunos fizeram isso para que possam cheirar cocaína em paz sobre as carteiras. Foram mais de duas horas de aula. Ela retorna para casa exausta com a impressão de que seu dia andou. Para a Menina Enciclopédia, embora reconheça que não foi bem assim, mas, que diferença faz ?

VOCÊ JÁ VIU O POR DO SOL ?


Voltando de uma viagem a Sampa no fim da tarde foi esta a imagem que vi, o por do Sol num dia frio de inverno. A fumaça das queimadas e as nuvens, deram um espetáculo à parte. Visto através de uma lente de 300 mm então ficou desse jeito aí da foto. Clique na imagem e veja ampliado o astro rei.

28 junho 2008

VIROU TRADIÇÃO


Já está no fim a XX semana LUIZ ANTÔNIO MARTINEZ CORRÊA. Há 20 anos Araraquara homenageia esse grande artista, filho aqui da terra que teve a ousadia de filmar um longa metragem por estas bandas apenas com estudantes amadores. O filme "Santo Antonio e a Vaca" fez história. Para meu desespero esse ano não pude participar de todas as atividades que queria. Nesta sexta-feira (27/06/08) fui numa delas, uma apresentação teatral no pátio externo da antiga estação ferroviária, com os alunos do curso de Técnico Ator. Tirei várias fotos. A que está aí acima é uma delas.

CONSCIÊNCIA BARATA

Passo apressado pela rua mais movimentada da cidade. Estava ventando e um friozinho chato penetrava por baixo da blusa fina. Na porta de uma loja e ao sol, estava um senhor negro, cabelos brancos, aparentando mais de 80 anos, roupas sujas e rasgadas. Calçava chinelos rústicos. Ambos os tornozelos inchados. Ficava cabisbaixo, triste. Entre as pernas segurava um chapeu roto de feltro, virado para cima, formando um receptáculo para que as boas almas colocassem ali algum trocado. Passo por ele e vou em frente. Não dou esmolas para mendigos. A uns 10 metros páro repentinamente. Procuro no bolso um trocado. Localizo uma moeda de 50 centavos. Volto e a deposito no chapéu, que faz um barulho ao bater em outras, que noto serem a maioria de 5 centavos. Ele levanta a cabeça e agradece. Vejo seus olhos miúdos, sofridos. Retomo meu caminho. Estanco meus passos novamente. Procuro no bolso uma nota. Volto e deposito no chapéu. Ele agradece novamente, sempre com voz muito baixa, quase inaudível. Vou embora com a sensação estranha de que minha consciência valeu muito pouco.

BEM VINDO À NORMALIDADE

Parece que o problema com o vírus no computador foi resolvido, até brinquei um pouco alterando o tamanho e a cores das letras. Coloquei novamente os links daqueles que me visitam e vamos que vamos. Esquecí o texto que perdi. Vou tentar repetir aquilo que a memória gravou. Está logo acima com o título "Consciência barata".

23 junho 2008

E TOME VÍRUS

Faz dias que ando às voltas com vírus. Na garganta e no computador. Na garganta estou curando com Phitolaca 30ch, remédio homeopático. No computador não sei o que fazer, cada um diz uma coisa e eu vou perdendo tudo. Meus links daqui foram para o espaço, algumas postagens idem. Enquanto escrevo este post já desligou sozinho duas vezes e não pára de soar um sinalzinho irritante. Volto outra hora, quando consertar, eu tenho algumas coisas para postar. Ufa!!! Consegui !!!

30 maio 2008

TARDE DE SEXTA-FEIRA


Às margens da rodovia que liga Araraquara ao Município de Ribeirão Bonito os ipês estão dando o maior show de beleza. Não pude resistir, apesar da pressa, e fotografei essa explosão de cores vivas no meio da mata verde que cresceu sobre o morro.

Ele estava assim de boné vestindo uma camiseta branca, duas camisas e um paletó estilo blazer, bem sossegado aguardando o frio que prenunciava. Enquanto o frio não vem, ele pegou uma tesourinha na mochila que estava ao lado e passou a cortar os fiapos e pontas de linha que estavam em seu blazer. Andar alinhadinho é bom pra todos, ou não ?

27 maio 2008

PABLO E PAULO


Sabado teve show de dança de sapateado no Teatro Municipal e eu, como de costume, fui lá fotografar os rapazes e moças. Desta vez por um motivo especial, foi a primeira apresentação do Paulo e do Pablo, depois que eles voltaram da Bélgica, onde irão estudar dança numa das mais conceituadas escolas de dança do mundo. Uma grande vitória para eles, a família, a comunidade e especialmente, seus professores daqui que acreditaram que eles só precisavam de uma oportunidade. O Paulo é o que está logo à frente de calça amarela (vide post de 11/05/08) e o Pablo está no centro da foto de calça marrom.

MANOEL DE BARROS QUANDO JOVEM

"Hoje eu completei oitenta e cinco anos. O poeta nasceu de treze. Naquela ocasião escrevi cartas aos meus pais, que moravam na fazenda, contando que eu já decidira o que queria ser no meu futuro. Que eu não queria ser doutor. Nem doutor de curar nem doutor de fazer casa nem doutor de medir terras. Que eu queria ser fraseador. Meu pai ficou meio vago depois de ler a carta. Minha mãe inclinou a cabeça. Eu queria ser fraseador e não doutor. Então, o meu irmão mais velho perguntou: Mas esse tal fraseador bota mantimento em casa ? Eu não queria ser doutor, eu só queria ser fraseador. Meu irmão insistiu: Mas se fraseador não bota mantimento em casa, nós temos que botar uma enxada na mão desse menino pra ele deixar de variar. A mãe beixou a cabeça um pouco mais. O pai continuou meio vago. Mas não botou enxada." Manoel de Barros, Memórias Inventadas - A infância, Ed. Planeta 2007, capítulo VII

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Recentemente li uma entrevista com o poeta Manoel de Barros. O entrevistador perguntou a ele quando começara o gosto pela leitura. Escrevo aqui o que me lembro de memória sobre sua resposta, foi assim: Quando criança estudava num colégio dirigido por padres. Sempre rigorosos com os alunos quanto a disciplina. Um dia eu estava no banheiro me masturbando quando um padre professor me surprendeu. Como castigo por este grande pecado fui obrigado a ler o "Sermão da Sexagésima" do Padre Antônio Vieira. Eu gostei tanto da leitura que entrava no banheiro para me masturbar justo na hora que vinha vindo o padre. E novamente tinha que ler prazeirosamente os sermões do padre Antônio Vieira. Fui acometido de anemia grave e internado, mas a essa altura já tinha lido toda a obra de Antônio Vieira.

18 maio 2008

VIRADA CULTURAL 2008


Este ano na Virada Cultural teve de Zé do Caixão até índios Terena. Veja que rostinho lindo dessa indiazinha. Ela estava tímida e eu apontando a máquina para ela disse "dê um sorrizinho" e ela sorriu bonito mostrando um aparelho para corrigir os dentes.

O indiozinho estava concentrado na dança que iria executar logo em seguida. Vida dura de índio.

Houve um tempo em que o índio queria apito, espelho, panelas. Hoje a conversa é outra, índio tem máquina fotográfica digital. Eu disse a ele "deixe-me fotografá-lo" e ele "você me fotografa e eu te fotografo". E assim fizemos.

Arnaldo Antunes fechou a virada cultural com a praça cheia de gente. Todos felizes pelo porre de cultura. Foram 24 horas ininterruptas de cultura para todos os gostos. Tomara que o ano que vem tenha mais, afinal a gente não quer só comida .....

11 maio 2008

EMOÇÃO EM DOSE DUPLA





Viagem a negócio para Sampa é sempre uma correria. Andei e subi escadas das 13 às 17 horas. Fui rapidamente tomar um lanche com o meu filho. Depois fui voando para a rodoviária tentar o ônibus das 18:30 hs. Desespero, perdi por 5 minutos. Na livraria compro a Caros Amigos deste mês, pelo menos me distraio, aprendo e passa o tempo. Ao passar por Campinas o ônibus enguiça. Pedem outro que deve demorar 2 horas. Entramos num posto desses bem sujo. Fico ali no frio lendo a revista. Leio a entrevista do neurocientista Miguel Nicolelis. Fico emocionado, um nó na garganta e muita vontade de chorar. Era 22:55 hs quando o celular toca e eu com a voz embargada. Do outro lado a amiga Gilsamara Moura chorando. Estava emocionadíssima. Dois dos seus alunos oriundos de um projeto social acabavam de ser aceitos numa das melhores escolas de dança do mundo com sede em Bruxelas, na Bélgica. Fazer o que, né ? Choramos juntos de emoção. Este rapaz das fotos é um deles, o Paulo. Gente muito simples, linda. Chegar perto do Paulo e conversar é uma coisa inexplicável. Transmite uma energia de paz, alegria, bondade, só quem o conhece entende o que estou falando. O outro jovem é o Pablo, que prometo colocar aqui suas fotos também. Nesta sexta fui lá da Escola Municipal de Dança abraçá-los, ele e a Gilsa, sua professora. O Pablo estava em viagem, cuidando da papelada necessária para o curso.
Recomendação: Comprem a Revista Caros Amigos deste mês de maio e leiam a entrevista com o neurocientista citado, vale a pena.

04 maio 2008

PRIMEIRO DE MAIO DE 2008 - O QUE EU VI


O homem da foto estava muito bêbado. De tempos em tempos ele pegava numa sacola plástica uma garrafa de pinga e enchia o copo para esvaziá-lo em seguida. Não sei qual o sentido da vida para esse homem.

Ao ver este senhor com sua bengala, lembrei-me de uma letra de música antiga cantada pelo Altemar Dutra onde dizia "velho meu querido velho/agora já caminha lento/como perdoando o vento". Saudade dos meus pais.

Cabisbaixo ele lia. Lia o que? Sei lá, apenas lia acompanhado de sua solidão num ponto de ônibus urbano em pleno feriado de primeiro de maio.

Ela descia a rua rindo sozinha, feliz. Com certeza era a influência das flores que acabara de comprar.

20 abril 2008

O DIA DO PATO

O Joaquim, que era meu pai, resolveu que todo final de semana deveríamos comer carne de pato ou pata. Encarregava minha mãe de sacrificar o bicho, cortando-lhe a cabeça. Por mais que ela protestasse, não tinha jeito. Num determinado final de semana minha mãe se aborreceu e foi incisiva: Desta vez basta, não mato o bicho !!! Olhou para os lados procurando um filho ou filha. Azar o meu que estva passando por ali. É você, disse-me ela apontando com o dedo indicador. Nem esperou pela resposta. Virou-se e foi visitar uma conhecida que estava doente. Fiquei ali sem saber o que fazer com aquele bicho. Ele me encarava e eu com o olho nele. Alguém estava me chamando no portão e eu fui lá ver. Era o Isaac, vizinho e amigo. Não tive dúvida, chamei-o para me substituir na função de carrasco de pato. Dei-lhe uma faca velha e algumas instruções, como por exemplo que a cabeça do bicho tinha que ser decepada. Isaac pegou o bicho pela cabeça ficando com o corpo dependurado. Isaac começou "serrar" o pescoço do bicho. No menor sinal de sangue ele soltou o bicho que saiu correndo pelo mato do quintal vizinho. Foi em vão tentar pegá-lo. Desapareceu como num passe de mágica. Lembro-me que meu pai chegou em casa bêbado e salivando pensando em comer um pato cozido. Achou chuchu e abrobrinha para seu desespero. Eu estava bem escondido na casa do Isaac.

02 abril 2008

CADÊ OS NEGROS

Enquanto o Binho não me encontrava dentro do shopping Higienópolis, em Sampa, fiquei observando os clientes que por ali circulavam e as pessoas que trabalhavam nas lojas. NENHUM NEGRO. Minto, os guardas que ficam nas portas como Leão de chácara eram negros, daqueles bem grandes, com terno, gravata e óculos escuros. Um africano, desses que estão invadindo Sampa ultimamente, cruzou os saguões em passos rápidos e saiu pela porta lateral, sob vários olhares desconficados. De repente passou-me a sensação de que estava no lugar errado, que só confirmou quando paguei a conta do almoço. Um prato com uma porção de quibe cru e três charutinhos R$ 18,00.

NO CAOS DE CD´S E LIVROS UM TESOURO

No meio de centenas de livros do Binho encontro um que me chamou a atenção, não pelo seu autor que é conhecido, mas pelo seu tamanho. Deve medir 10x15 e tem 51 páginas, sendo 19 só de explicações sobre o tema e sobre a vida do autor EPICURO, 20 em grego e o restante em português. Nunca vi uma carta trazer tantas informações e conhecimento num espaço tão diminuto. Para adquiri-lo os dados são: "Carta sobre a felicidade" (a Meneceu), Ed. Unesp, EPICURO.

Na internet encontrei:

Epicuro
Nascimento 341 a. C.
Falecimento 270 a. C.
Escola/tradição Fundador do Epicurismo
Principais interesses Hedonismo, Atomismo
Idéias notáveis Epicurismo
Influenciados Hermarchus, Lucretius, Thomas Hobbes, Jeremy Bentham, J. S. Mill, Thomas Jefferson, Friedrich Nietzsche, Karl Marx, Michel Onfray, Hadrian, Metrodorus of Lampsacus (the younger), Philodemus, Amafinius, Catius

20 março 2008

DESCONFIEM DOS MORALISTAS

Sempre refleti sobre pessoas preconceituosas e moralizadoras e descobri que elas são preconceituosas e imorais. No recente caso do Governador de Nova York, (senhor Eliot Spitzer) para mim não foi surpresa quando ele afirmou ao lado da sua mulher que a traía com prostitutas e pior, com dinheiro público !! Ele ganhou a eleição sobre o tema da moralização. O moralizador é aquele que impõe regras duras aos outros que ele mesmo não consegue seguir. Na verdade há nele um desejo enorme de transgredir a próprias regras que impõe. Assim, desconfie-se daquele que vocifera contra homossexuais, prostitutas, etc. ele pode ser um enrustido homossexual ou amante de prostitutas. Lembro-me de um caso envolvendo um Desembargador de um Tribunal de Justiça que impunha nas suas sentenças o máximo da pena para os chamados crimes contra a moral e os bons costumes, sempre, evidentemente, ligados às questões sexuais. Quando se aposentou, voltou ao seu gabinete para buscar seus livros particulares que lá ficaram. Ao sair passou a mão acintosamente nas nádegas da sua ex-secretária. Moralistas, pois, pois.

02 março 2008

MAIS UM INQUILINO OU SERÁ UMA INQUILINA ?



Logo pela manhã de sábado uma algazarra de passarinhos no fundo do quintal me chamou a atenção. Era um bando de sabiás laranjeira. Fui ver o que estava acontecendo. Eles estavam nervosos com a presença de uma coruja buraqueira que posou numa das folhas do meu pé de mamão. Eles faziam a maior algazarra ao lado dela e ela não estava nem aí, até parecia que não estava ouvindo. Como para morar nesse humilde quintal deve ter foto de registro, peguei a máquina e cadastrei o novo bichinho. A única dúvida é se se trata de uma coruja ou um corujo.

PROMESSA É DÍVIDA


Como choveu muito de à noite de sexta (29/02) para sábado (01/03), o FOFÃO, meu sapo de estimação, resolveu sair da toca e passear durante o dia, o que não é comum. Chequei até a pensar que ele fez de propósito depois que prometi fotografá-lo. Eu me aproximei com a máquina fotográfica na mão e ele nem se mexeu, ficou fazendo pose. Vejam aí, o FOFÃO tomando sol.

23 fevereiro 2008

CHOCANTE

Acabo de assistir TARTARUGAS PODEM VOAR do iraniano BAHMAN GHOBADI. Não me lembro de ter assistido um filme tão chocante, provocador, triste. Muitas crianças. Vida infantil dura, sofrida, numa terra abandonada por Deus e pelos homens. Acho que vou chorar ...

FOFÃO

Há dias que não via o Fofão ..... Bem, deixa começar história desde o início. Chego em casa ali pelas 22 horas e vejo um bando de meninos e meninas numa roda fazendo a maior algazarra em frente ao meu portão. Paro o carro e vou ver o que se sucede. No meio da roda, sendo cutucado com varas e levando alguns chutes estava um sapo. Dei uma tremenda duma bronca na gurizada e toquei o sapo para dentro do meu quintal. O pai de um dos meninos ficou estupefato. O senhor vai deixar esse sapo no seu quintal ?? perguntou arregalando os olhos. Vou sim, respondi secamente. Batizei o bichinho de FOFÃO porque ele tem um barrigão e é muito desajeitado quando pula. Ontem a noite fui no quintal espantar uns gatos barulhentos e quem eu vejo ? O FOFÃO ! Deve ter muita comida aqui para ele, afinal ele engordou mais, ficou mais lento ao saltar. Que fique por aqui e em paz. No próximo encontro vou fotografá-lo.

OS BELOS SEGREDOS DO MEU QUINTAL







Construí uma modestíssima casa num terreno 12X20. Primeira providência foi NÃO CALÇAR O QUINTAL. Plantei grama, depois plantei 6 pés de mamão, dois de laranja, quatro goiabeiras, dois de pinha, um de maçã, um de uvaia, dois de tangerina, um de jaboticaba sabará, melancia, pimenta, manacá da serra, e muitas roseiras. Depois de dois anos e meio já colhi jaboticabas, goiabas, melancias. Vejam aí as fotos do meu "sitio". A goiaba da foto fiz questão de não colher para que sirva de alimento aos pássaros que diariamente visitam a goiabeira. Essa lagarta que é inquilina do meu pé de goiabeira é uma das maiores que já vi e logo será uma imensa borboleta. Ah, sim, quando ameaça o stress eu crio "obras de arte" como estes bambús pintados que pendurei na garagem.

10 fevereiro 2008

TÃO LONGE E TÃO PERTO



Uma boa aquisição de equipamento fotográfico que fiz foi comprar uma lente de 300 mm (70X300), da marca Canon. Excelente. Veja no exemplo duas fotos feitas, a segunda há mais de 2000 metros do prédio, a primeira, seguramente há mais de 3000 metros do centro da cidade. Dá prazer fotografar assim. Não custa lembrar que para ver melhor clique sobre a imagem.

VERÃO NÃO É SÓ CALOR E CHUVA




É no verão que a natureza nos dá o prazer de lindas imagens, sobretudo das nuvens. Como não há palavras para explicar toda essa beleza eu fotografo e distribuo a todos.

26 janeiro 2008

E ASSIM ESTAMOS EM 2008


No primneiro dia do ano o centro da cidade estava vazio. Raras pessoas pelas ruas o que me deu uma visão rara e real deste pedaço da cidade.

Todos os dias é a mesma coisa às 6:30 da manhã. Ele chega e começa a cantar repetidamente. Desta vez abri a janela com cuidado e o fotografei. O bem-te-vi com a máscara do zorro. Meu despertador matutino.

25 novembro 2007

ENSAIO - ÚLTIMA PARTE

Até que enfim acabo hoje o conto feito em quatro partes. O final é inusitado, vejam:

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Lino chegou até a porta, levou a espingarda na altura do ombro direito, olhou na mira e visualizou a nuca do rapaz mais jovem. O outro estava na mesma direção, rindo alto. Ele estava segurando nas orelhas do cabritinho preso na forquilha de cabeça para baixo. O bichinho berrava desesperado e babava. Lino observou com o outro olho que o velho havia esquartejado o veado catingueiro e o estava salgando. Virou os olhos para mim que estava no seu lado direito e me disse:
Vamos acabar com isso logo. Com apenas um tiro acabo com os dois moços e com o outro cartucho acerto o velho. Vai ser uma desgraceira com muito sangue, depois não vai reclamar.
Calma Lino, retruquei, isso é apenas uma brincadeira, eles são pessoas virtuais.
Tá bom, disse, se é assim então lá vai, tape os ouvidos que o barulho vai ser forte. Contraiu um pouco os olhos. O dedo indicador da sua mão direita começou apertar o gatilho.
Foi nesse momento que trago a seta do mouse até o retângulo laranja da postagem e clico "publicar postagem" e me despeço do Lino, um homem virtual.

18 novembro 2007

ENSAIO - PARTE III - PENÚLTIMA

O Moço tem muitos bichos aqui no quintal, disse o homem que estava sentado na sala. Ele levantou-se foi até o pote de barro e serviu-se de uma caneca com água. Lino que ainda estava absorto em seus pensamentos assustou-se, nada respondendo. O jovem e o mais velho ainda estavam tirando o couro do veado catingueiro no quintal. O terceiro homem estava de costas para o Lino enquanto entornava a caneca com água. Lino percebeu que eles haviam deixado as espingardas encostadas na parede. Lino sentiu um frio passando pelo corpo e uma vontade enorme de saltar sobre elas e sair disparando. E se elas estiverem descarregadas ? Aí ficarei nas mãos deles, pensou. Sentia a testa suar. O homem que estava tomando água depositou a caneca sobre o fogão, pegou as duas espingardas e foi para o quintal. Lino abaixou a cabeça confuso. Lá fora o homem que acabara de sair fazia troça com os outros dois, que lutavam para tirar o couro do animal morto sem cortar a carne. O mais velho voltou para dentro da casa para pegar o sal. Estava cheirando a sangue. Suas mãos e camisa estavam lambuzadas do líquido vermelho. Pegou o sal e voltou para o quintal, antes, porém, disse matreiramente a Lino que suas cabras estavam prontas para um bom churrasco. Lino nada respondeu, só sentia pelo pior. Lá no quintal o mais jovem corria atrás dos cabritinhos e o outro juntava no chão as entranhas do animal morto numa lata velha e enferrujada. Leva-a até a cerca do fundo do quintal e despeja seu conteúdo que servirá de comida aos urubus. O mais velho tirou o bicho morto da forquilha e o depositou sobre um estrado de madeira. O couro ele esticou com estacas após salgá-lo. Estavam todos os três distraídos. Suas espingardas estavam sobre o coxo de madeira. Uma idéia passou pela cabeça do Lino que assistia o movimento dos três homens. Pensava Lino em antecipar qualquer desgraça. Deveria aproveitar esse momento de distração dos homens, pegar sua espingarda e atirar neles. Tinha que ser rápido e escolher dois, afinal sua espingarda só tinha dois cartuchos e recarregá-la poderia demorar e ele ser alcançado por aquele que restar. Poderia matar dois e correr, pensou. Talvez fosse mais fácil atirar em dois e agarrar-se ao mais fraco, quem sabe o velho. É isso, pensou Lino. Atiro nos dois jovens e me agarro ao mais velho, se der acerto a cabeça dele com a coronha da espingarda. Lino transpirava e seu coração batia forte. Afastou-se calmamente até a porta do quarto sem virar-se. Com a mão esquerda foi tateando pela parede até sentir o cano frio da espingarda. Agarrou-o e a trouxe para perto do corpo. O mais jovem dos homens agarrara um cabritinho pela pernas traseiras e o trazia para perto da forquilha de cabeça para baixo. O bichinho berrava e se debatia desesperadamente, talvez assustado com o cheiro de sangue coagulado que manchara o chão. O outro jovem veio em socorro do amigo. Ambos estavam ocupados em pendurar o cabritinho na forquilha pelas pernas traseiras. O mais velho estava salgando a carne do veado catingueiro sobre o estrado de madeira que Lino usava para as tarefas diárias no quintal. Esta é a hora, pensou Lino. Os mais jovens estavam juntos, era difícil errar o tiro. O mais velho estava de costas desarmado e longe das espingardas. Lino enxugou o suor da testa, engatilhou a espingarda e cautelosamente encaminhou até a porta.

15 novembro 2007

FLORES DO CAMPO E CLOSE-UP NO JARDIM

Receita: Pega-se uma máquina fotográfica, coloque-a numa bolsa. Verifique se os pneus da bicicleta estão cheio de ar adequadamente. Mire-se para a periferia da cidade e vá sem destino, mas para o meio do mato. Lá chegando dê uma boa olhada nos mínimos detalhes que vai descobrir a transformação da natureza neste início de verão chuvoso. Flores simples e complexas se misturam e alegram o ambiente. As duas primeiras (flor de goiabeira e botão de rosa) foram tiradas no meu jardim com uma lente de 60 mm. Divirtam-se. Ampliadas ficam muito mais bonitas. Tente, pois.






02 novembro 2007

DIA DE FINADOS


Araraquara tem uma história muito interessante acontecida na passagem do séc XIX para o XX. Um rapaz chamado Rosendo Brito matou um fazendeiro de uma família tradicional da cidade (um pesquisador diz que foi legítima defesa). Esse rapaz foi preso junto com o tio que estava no local do crime. Poucos dias depois os capangas do fazendeiro invadiram a cadeia, retiraram os dois de lá e os lincharam. Como na época estava havendo um surto de febre amarela, os três foram enterrados provisóriamente fora da cidade. Anos depois os restos mortais do fazendeiro foram trazidos para o cemitério central, já os dois Britos permaneceram no mesmo local. Hoje o cemitério leva o nome deles "Britos". Onde eles foram enterrados construíram uma igreja (essa da foto). Muitos acreditam que eles são milagreiros, até tem uma sala de agradecimentos pelas graças recebidas.

Nunca pesquisei sobre o ato de queimar velas em cemitérios, igrejas, cultos, etc. O fato é que não gosto, o cheiro dessas velas comuns é horrível. Entretanto, as pessoas obedecem essa tradição antiga, sabe lá porque. Neste local onde aparecem essas pessoas da foto, o calor e o cheiro estavam insuportáveis, mas a cada minuto chegavam mais gente. Outra coisa que notei é que esse ano a concorrência religiosa estava no auge. No portão do cemitério havia gente de todos os credos, cada um com um Deus melhor que o outro empurrando panfleto com a sua propaganda, o que me fez lembrar a boca de urna nas eleições, aí me veio à mente uma música antiga cantada pelo Carlos José cuja estrofe diz: Porém, há um caso diferente/cada qual com sua gente/cada homem com seu Deus.

A velhinha veio andando lentamente amparada pelo rapaz de mais ou menos 40 anos que deduzo ser seu filho. Eles param atrás de um túmulo onde só tem uma cruz pintada com cal. Ela acende uma vela e a coloca ao lado da cruz junto com um vasinho de flores vermelhas artificiais. Num gesto inusitado ela acende um cigarro e também o coloca junto da vela e do vaso. Viram-se e vão embora. Concluo que o falecido morreu de enfisema pulmonar.

FOTOS PARA FOLDERS


Talita, uma das três atrizes que estarão na peça "Damas Horizontais". No estudio improvisado a temperatura ultrapassava os 35 graus devido aos holofotes. Mas valeu a experiência do fotófrafo amador.

A Raquel também será uma das personagens da peça, porisso a pose inigmática.

A atriz Fabiana em pose para foto que fará parte do folder de propaganda da próxima peça que irá atuar.

22 outubro 2007

ENSAIO (parte II) A SAGA CONTINUA

Aqui vai a segunda parte do ensaio. Lembre-se, serão 4 partes, continuo não sabendo o que se passará na terceira parte nem como acabará essa aventura.

ENSAIO (parte II)
Lino foi até o quarto. Puxou um pano que estava preso à parede do quarto que serve como cortina. O pano quase opaco fechou a visão escancarada do quarto. Lino foi até a cabeceira da sua cama, enfiou o braço direito por debaixo dela e apanhou a espingarda de dois canos que guardava ali ao alcance da mão. Dobrou o cano e certificou-se de que estava carregada com dois cartuchos. Levou-a até a porta do quarto e a encostou ao lado de uma caixa numa posição de fácil manuseio, caso fosse necessário. Lino voltou-se para a sala. Ao passar diante da porta, viu um dos rapazes trazendo preso às costas o veado catingueiro. Ele entrou na casa sorrindo. Posso usar sua forquilha para tirar o couro do bicho e salgar a carne ?, perguntou ao Lino. Antes mesmo que Lino respondesse o rapaz passou por ele encaminhando-se até o quintal onde estava a forquilha que Lino usava para preparar os cabritos que matava para comer. Pode, respondeu Lino, e se precisar de uma faca boa de corte tenho aí uma guardada, emendou. Carece não disse o mais velho, levantando-se do banco de madeira e seguindo o jovem com o animal morto. Vou ensinar esse cabra lidar com bicho morto, é o primeiro que caça na vida, completou. Ouvindo essas palavras Lino lembrou-se do seu pai. Quando completara 13 anos, seu pai o levou para caçar. Primeiro tomou o cuidado em ensinar-lhe como usar a espingarda. Parecia que ainda doía seu ombro direito onde apoiava a arma. O coice que ela dava ao disparar era muito forte para uma criança de 13 anos, mas Lino se fazia de durão e continuava atirando. Foi treino de uma semana na caatinga. No outro dia sairiam para a primeira caçada. Lino lembrava que aquela noite nem dormira direito, sem saber até hoje se pela emoção da primeira caçada ou do medo de atirar e ver o animal morto e ensanguentado, embora acostumado a assistir o pai sacrificar cabras e porcos no quintal. Mas desta vez seria diferente, era ele o executor da façanha. O dia ainda não tinha amanhecido quando o pai do Lino o acordou. Em minutos ganhavam o estradão de terra batida. O pai do Lino montado no seu cavalo preferido, todo preto com pêlos brilhantes. Lino montava um potro branco com pintas pretas e pequenas por todo o corpo, um animal fogoso devido sua juventude. Naquele dia tudo foi muito estranho, Lino e seu pai não encontraram nenhum animal de bom porte que valesse a pena matar. Retornaram ainda com o sol alto. No meio do caminho de volta o pai do Lino teve uma idéia. Chegando em casa pediu a ele que não descesse do cavalo. Foi até o cercado apanhou um cabrito no colo e trouxe próximo do Lino. Você vai caçar esse bicho, disse o pai encarando-o. Fique ali perto daquele tronco, disse o velho apontando o lugar, que devia estar a uns 20 ou 25 metros do local. Quando eu der o sinal vou soltar esse cabrito e você vai atrás dele e mate com um tiro, completou. Lino tremeu, nervoso. E não atire na posição de traseira da caça, senão pode acertar a cabeça do cavalo, ensinou seu velho. Fique parelho, exigiu. Lino ainda nervoso tomou posição, segurando a espingarda com as duas mãoes e com um dedo da mão direita prendia a rédea. Engatilhou a arma e ficou atento ao sinal do pai. Já !, gritou o velho soltando o animal. Lino esporou o cavalo que saiu correndo atrás do cabrito. Lino puxou a rédea levemente para a direita para se posicionar melhor. Alcançou o bicho, apontou a arma sentindo o coração bater forte. Tocou delicadamente no gatilho para não disparar antecipadamente. Ficou paralelo ao cabrito. Apertou forte no gatilho ouvindo um enorme estalo. O cabrito virou uma pirueta caindo de costas levantando poeira. O pai do Lino veio correndo. Lino parou o cavalo e voltou sem pressa. Ele tremia dos pés à cabeça. Ao aproximar do animal, Lino não desceu do cavalo, aguardou seu pai chegar. O velho chegou ofegante, ajoelhou ao lado do cabrito, examinou o ferimento, depois olhou para o filho com os olhos contraídos para evitar o excesso de luminosidade. Sorriu mostrando seus dentes pretos e orgulhosamente disse: Você atira bem rapaz!, vamos lá no quintal prender o bichinho na forquilha que vou te ensinar como se tira um couro.

15 outubro 2007

COMEÇOU A NOVA AVENTURA

Semana que vem eu darei andamento ao conto que iniciei já que ninguém se habilitou em fazê-lo. O Junior diz que corrigirá o texto, vou cobrar. Começamos neste final de semana a mais nova aventura, filmar um média metragem. Como sempre foi dificílimo. Os figurantes não entendiam a demora em filmar uma cena. Não entendiam que não se tem hora para começar as tomadas de cena e a hora de terminar. Num lugar ermo e longe, começamos filmar às 16:00 horas sob um sol intenso e calor insuportável. Não aguentava mais reclamação. Colocávamos cervejas nas mesas que serviriam de cenário, os figurantes bebiam todas. A última cena foi finalizada às 0:15 horas. Nas fotos, pela ordem de cima para baixo: No centro da foto destacando o ator Zé Campanholo, as atrizes Marcela (da esquerda)e Rosa e uma geral.


02 outubro 2007

VOCÊS ME AJUDAM ???

A partir de hoje, 02 de outubro de 2007 começo a escrever um Ensaio que ainda não tenho o meio e o fim, apenas o começo. A idéia é que aqueles(as) que me visitam ou me mandam e-mails sugiram como a história deve continuar e depois de 4 (quatro) partes haja um final, vcs. topam ?? Aguardo uma semana, senão eu dou sequência, fazer o que né ? Veja o início logo abaixo.

ENSAIO ( parte I)

ENSAIO (parte I)

O calor estava insuportável. Os primeiros raios de sol penetravam pela fresta da janela de tábuas rústicas do quarto humilde. Lino virou-se na cama fazendo ranger as tábuas que sustentavam o colchão de espuma. Sentia o corpo pesado, preguiçoso. Achou por bem levantar-se. Enxugou o suor que descia pela testa e pescoço com o dorso da mão direita. Abriu a janela deixando a claridade do sol entrar. Contraiu os olhos até se acostumar com a luz do dia que estava iniciando. Seria com certeza mais um dia quente e sem chuva, que, aliás, não era novidade, afinal já se passaram dois meses sem que houve sequer um chuvisqueiro. Alguns cavaleiros passavam no estradão de terra poeirenta, acompanhados de alguns cães, que, despreocupados, brincavam entre si. Lino foi para a cozinha preparar o café. Lembrou-se com saudades dos filhos e da mulher, que foram morar com o seu sogro até que voltasse a chover. A água do açude precisava ser economizada e servia exclusivamente para cuidar dos animais que criavam e que, em contrapartida, forneciam leite e carne. Enquanto Lino preparava o café, alguém gritou no portão:

Ô de casa !!

Lino caminhou até a porta, abrindo-a com esforço porque ela raspava no chão duro de terra batida. Com a porta aberta avistou três cavaleiros com roupas típicas daquela região. Dois deles traziam espingardas presas nas costas com tiras de couro. Todos tinham na cintura uma peixeira longa.

Bom dia, disse o mais velho deles. Aparentava ter uns 50 anos. Pele morena queimada do sol forte da região. Sentimos cheiro bom de café fresco, resolvemos pedir pro moço se não pode arrumar uma canequinha pra nós; passamos a noite aí pelo mato caçando e estamos cansados; bem que um cafezinho vai ajudar um bocado, continuou o mais velho.

Lino, sem saber o que fazer com aquela situação inesperada, afinal coisa igual nunca tinha acontecido, ainda mais naquela hora da manhã. Eram pessoas desconhecidas e sequer aparentavam ser gente de paz.

Bom dia, respondeu Lino, titubeante. Coloque os cavalos ali na sombra da árvore que o café tá pronto, emendou.

Só quando os cavaleiros desmontaram dos cavalos é que Lino percebeu que na garupa do homem que estava no meio, tinha um veado catingueiro morto. Lino fingiu que não havia notado. Assim que os homens entraram na casa de Lino o ar ficou impregnado do cheiro de suor e couro. Os dois homens que portavam as espingardas, vieram com elas para dentro da casa, o que deixava Lino pouco a vontade.

Acomode e não repare o barraco, disse Lino apontando os bancos de madeira que ficavam encostados na parede.

O moço mora sozinho ?, indagou um dos cavaleiros, esticando o pescoço em direção do quarto que não tinha porta.

Mandei a mulher com os filhos para a casa do pai dela, até a chuva chegar, respondeu Lino num tom baixo e desinteressado. (continua)