10 junho 2007

HISTÓRIAS EM CONSTRUÇÃO




Todas as cidades com mais de cem anos possuem casas históricas. Isto é, até não aparecer um idiota com o discurso de modernismo e pôr abaixo um imóvel que conta parte da história de uma cidade. Neste domingo passeando com minha câmera pelo centro da cidade de Araraquara onde moro, visitei a velha casa que um dia foi o Conservatório Musical do famoso Maestro Tescari. A casa foi tombada pelo Patrimônio Histórico, mas está ruindo, e não há uma santa alma que apareça para salvá-la.

07 junho 2007

AGORA ELE VOA


Saindo da construção onde trabalhava, o garoto parava na porta da Escola de Dança (de música clássica e contenporânea) e ficava olhando. Como esta atitude vinha se repetindo, a Diretora da escola resolveu perguntar se ele sabia dançar aquelas músicas que estavam tocando. Não, não sabia, mas disse entusiamado que gostaria de aprender. Ela então pediu a ele para trazer um short para participar das aulas. Não precisaria pagar pelas aulas. Foi assim que começou. Hoje mal consegui focá-lo no palco do Teatro Municipal da cidade quando voava ao som da música.

Na foto o aluno e a professora que acreditou nele, ambos numa apresentação no palco do Teatro Municipal de Araraquara.

27 maio 2007

MUITO PRAZER, EU SOU A LENTE DE 300 mm




Finalmente consegui comprar uma lente Canon de 300 mm (75-300mm(. É esta aí da foto. Assim que recebi o aviso do correio fui buscá-la, sem esquecer de levar a máquina comigo (parece criança, não?). Peguei a lente e volteir para o carro. Abri a embalagem e lá estava ela !! Encaxei-a na máquina e voltei para o trabalho. No caminho da volta, ao passar por uma praça lá estava a primeira vítima, quero dizer, minha primeira oportunidade de testá-la. Um homem sentado num banco da praça ao sol, dormindo. Estava muito frio neste dia. Para ampliar clique sobre a foto. Os testes com o novo brinquedo continua nas fotos que se seguem abaixo. Uau, que alegria.

TESTES COM A LENTE CANON DE 300mm


Marco que sinaliza o Centro Geográfico do Estado de São Paulo.


O Picapau do peito amarelo não gostou de ser fotografado, mas mesmo irritado não arredou os pés, ops, as asas.



A acidez cítrica ao alcance da mão num dia frio e chuvoso.

A Romã pode ser uma fruta sem graça, mas convenhamos ela ficou bem na foto, não ?

24 maio 2007

FOI ASSIM .....

Madrugada fria. Acordo assustado. O silêncio vez ou outra era quebrado por barulhos estranhos que parecia alguém forçando a porta. Barulho no quintal. Uma locomotiva apita longe me fazendo lembrar do tempo de infância quando ia aos finais de semana até a Estação Ferroviária ver o trem passar. Uma coruja pia forte sobre o telhado. Devia estar sentada na antena de televisão. Penso em pessoas vivas ou mortas das quais eu não gostava ou não gosto. Procuro pensar nas pessoas agradáveis e elas se recusam entrar na minha mente. Os demônios estavam soltos e só fugiram com os primeiros raios de sol, trazidos presos nos bicos cantantes e alegres dos bem-te-vis.

TELEVISÃO TAMBÉM É CULTURA

Dias desses assistindo o Jornal da Cultura às 22:00 horas com a jornalista Salete Lemos, ela estava conversando alguns assuntos econômicos com o Jornalista Luís Nassif quando, no meio da conversa, ela disse ao jornalista "eu sou testemunha viva disso". E ele sem deixar a bola cair respondeu rindo mais ou menos assim "é, não poderia ser testemunha morta !!!" huahuahuahua. Ela quase caiu da cadeira.

20 maio 2007

VIRADA CULTURAL EM ARARAQUARA (4)


PAULINHO E A PATY PARA VEREM A BANDA DE PÍFANOS

VIRADA CULTURAL EM ARARAQUARA (3)


O LUCIANO APARECEU TRAZENDO SEU LARGO SORRISO

VIRADA CULTURAL EM ARARAQUARA (2)


A CASSIA ESTAVA LÁ SABOREANDO SORVETE DE LIMÃO.

VIRADA CULTURAL EM ARARAQUARA (1)



BANDA DE PÍFANOS DE CARUARU

VIRADA CULTURAL EM ARARAQUARA



CORDEL DO FOGO ENCANTADO

01 maio 2007

PASSEIO, NOSTALGIA, SAUDADE






Véspera de feriado (dia do trabalho, huahuahua), saí com minha máquina fotográfica para fazer um passeio no meu passado aqui na cidade. O túnel sob a Estação Ferroviária, o primeiro lugar onde atravessei com minha grande família ao mudarmos para Araraquara. Dormimos três noites no chão porque nossa mudança veio de trem e houve a necessidade de aguardar espaço nos vagões. A velha fábrica que trazia esperança de trabalho para uma família tão numerosa. O mercadão, meu primeiro local de trabalho, aos 11 anos de idade. Primeiro numa lojinha de sapatos e depois numa mercearia. A passarela que levava até a Rodoviária central. Eu, ainda menino, vibrava quando via os velhos ônibus da Cometa entrando nesse espaço. Finalmente o viaduto que liga a Vila Xavier ao centro da cidade. Meu caminho obrigatório para ir ao trabalho durante longos anos sob sol ou chuva a pé. Conheço cada pilar desse viaduto, também pudera cruzava-o 4 vezes ao dia!

O MEDO DO FUTUTO CALOU A VONTADE DO PRESENTE


Na chamada “sexta-feira santa” quando os católicos fazem vigília em lembrança da crucificação e morte de Jesus Cristo, estava eu caminhando entre as gôndolas de um supermercado quando vi uma garrafa de água importada da França a famosa Perrier. Fiquei com água na boca. Preço pelos 750 mls: R$ 7,00 !!! Achei muito caro e segui em frente. Lá no fundo vejo uma multidão comprando peixes. Neste momento lembrei-me de meu falecido pai por vários motivos. Ele gostava de peixes. Vivia queixando-se de desejos de comer comidas diferentes e caras, além de viagem que nunca se realizavam pela falta de dinheiro. Quando conseguiu algum dinheiro guardou-o, preocupado com o futuro. Morreu numa sexta-feira santa, deixando o pouco do dinheiro que guardou para os filhos. Pensei novamente no velho Joaquim e voltei resoluto para a garrafa de água Perrier e a trouxe para casa. Coloquei-a na geladeira e depois tomei cerimoniosamente numa linda taça de cristal.

17 abril 2007

UMA IGREJA E VÁRIAS HISTÓRIAS




Desde a fundação de Araraquara uma igreja não tem paz. Ora é o padre novo que resolve derrubá-la para ali constuir outra, ora são políticos e cidadãos inflentes que assim pensam. A Igreja aí do lado é chamada de Matriz de São Bento. É a quinta construção, desde a metade do século XIX. Está inacabada como podem ver e não se sabe quando será finalmente terminada pois está parada a construção há décadas. Uma coisa eu tenho certeza, mesmo assim ela é bonita com seus mais de 150 metros de altura. Acabo de fazer um ensaio fotográfico sobre ela girando no seu entorno num ângulo de 360 graus e de vários pontos da cidade. As fotos que divulgo são apenas três exemplos. Para ver melhor amplie as fotos com um clique sobre elas.

A INOCÊNCIA

No pátio da escola as crianças faziam um barulho insurdecedor. Corriam uma atrás das outras despreocupadamente, inclusive uma delas, um pouco mais lenta devido seu corpo pesado, afinal está grávida de 5 meses.

01 abril 2007

NÃO CONTEM A NINGUÉM, POR FAVOR



Hoje vou contar um segredinho, desde que vocês não esparramem aí pela internet, combinado ? É o seguinte, quando eu assisto um bom filme, EU CHORO. Exemplo disso foi neste sábado, dia 30/03/07. Estava sem fazer nada aqui em casa, liguei o aparelho de DVD e coloquei ali o filme "O sol é para todos", dirigido por Robert Mulligan, com Gregory Peck. Uma história envolvendo crianças, racismo, vizinhos e um rapaz com doença mental. Depois de desligar o aparelho de DVD fiquei pensando sobre cinema e filmes, aí me veio à mente os curta-metragens que fazemos. Tudo é muito gostoso, divertido e também trabalhoso e caro. Aí nas fotos o amigo Zé e as amigas Raquel, Terezinha, Fabi e Tânia, ator e atrizes com um espírito incrível de levar arte para as pessoas, para isso enfrentam lugares fétidos, sujos, tudo em nome da arte. Neste curta-metragem que tem o nome de Santíssima Tetrindade contamos a história de um homem louco que, no corredor do hospital, tem reflexos de lucidez que o faz lembrar do pai, do filho, do Espírito Santo e do ..... cinema!!! Lembrem-se, segredo contado e agora bico fechado.

MEU OLHAR


Observo ou procuro observar tudo por onde passo. Vejo coisas, pessoas, porisso gosto de passear com minhas máquinas fotográficas. As vezes aquilo que observo deve ser registrado. Tenho centenas de fotos dos mais variados gostos. São objetos ou pessoas que passaram por mim. Dias desses voltando de um passeio, passei pelo meu jardim e numa folha de goiabeira, (sim, no meu jardim há goiabeira que EU plantei), vejo ali esta maravilha de borboleta. Amplie com um clique na foto e analise cada desenho dela. Cada pessoa que a vê o faz com uma imaginação diferente de forma que ninguém parece ver o mesmo objeto, não é incrível !!!!????

HUMANO, DEMASIADAMENTE HUMANO


Uma das coisas que mais me traumatiza é a nossa capacidade de abandonarmos nosso semelhante. Deixar um homem viver como indigente e em locais invadidos no maior abandono é uma das hipocrisias mais chocantes das sociedades ditas "civilizadas". Um animal doméstico tem muito mais regalias que a grande maioria da população. Parodiando Heitor Cony, "o homem foi a única criatura de Deus que não deu certo". Exemplo disso tudo que estou dizendo é este senhor aí da foto. Para visualizar melhor clique sobre a foto para ampliá-la.

22 março 2007

AS PARTEIRAS DE ONTEM E DE HOJE

Tia Ana era baixinha e gorda. Andava gingando seu corpo de um jeito todo seu. Ia ao seu lado pela rua principal de Catiguá. Os adultos que encontrávamos pelo caminho a cumprimentavam com um “Boa tarde madrinha”. As crianças, acompanhadas ou não dos pais diziam “Oi madrinha”. Fiquei intrigado e perguntei “Tia a senhora é madrinha de toda essa gente ?”. Ela gargalhou gostoso, contraindo os olhos a ponto de quase fechá-los. “Não”, respondeu-me após tomar o fôlego. “É que todas essas pessoas fui eu que fiz o parto !!”, emendou. “Mas tia, de toda essa gente ?”, ponderei. “Iiihhh, meu filho, tem muito mais. Eu perdi a conta de quantos partos eu fiz nessa cidade. Lembra daquele homem que me cumprimentou primeiro ? Pois é, eu trabalhei no parto dele, depois das filhas dele e dos neto dele. Agora não faço mais parto, estou velha”, arrematou triste. Lembrei-me dessa história porque assisti uma reportagem das parteiras das margens dos rios da Amazônia. Esse brasilzão ainda tem locais incrivelmente atrasados.

04 março 2007

GETÚLIO VARGAS


Era quase uma hora da madrugada quando cheguei em São Borja no Rio Grande do Sul, cidade natal de Getúlio Vargas e onde ele começou sua vida de advogado e na política. A idéia era visitar o túmulo do ex-presidente no dia seguinte. Acordo às 9 horas e lá vou eu ver o que imaginava ser uma construção histórica. O cemitério fica na periferia da cidade. A impressão que tive é que a cidade não cresceu depois que o ex-presidente mudou. Em frente ao portão do cemitério tinha dois meninos de mais ou menos 10 anos pedindo dinheiro para vigiar o carro. Fiquei surpreso pois imaginava que esse tipo de "serviço" só existia aqui por estas bandas. Tem muito ladrão disse o menino sorrindo. Entrando no cemitério fui até um pequeno escritório, onde tinha uma moça mexendo em alguns papéis, cabisbaixa. Aonde é o túmulo do Getúlio ? pergunto. Ali, o número um, responde sem levantar a cabeça, apenas fazendo um gesto com a mão. Outra surpresa, o túmulo é muito simples e dá até a impressão de abandono. Fico sabendo depois que o túmulo está mal cuidado porque os restos mortais do ex-presidente está num Masouléo no meio da praça central da cidade, para onde fui depois. Veja aí na foto aonde colocaram primeiramente o corpo do famoso presidente Getúlio Vargas. Para ampliar a foto clique sobre ela.

26 fevereiro 2007

ANTONIA O FILME

Assisti neste domingo o filme ANTONIA da Tata Amaral. O cinema brasileiro está a passos largos de atingir uma qualidade excepcional. No caso de ANTONIA foi tudo bom. Roteiro, fotografia, atores, direção. Não li ou ouvi ninguém falando que este filme trata-se de amizade, mas é o que penso. O filme praticamente todo filmado com a câmera na mão. Quatro mulheres jovens inseparáveis desde a infância. Se uma sofre todas sofrem. Outro lado do filme é a periferia, a dura periferia com sua música, sua miséria, seus sonhos e sua violência, sem exageros ou pieguismo. Tata Amaral se superou. Vale a pena conferir e se emocionar.

UMA LEITURA FINDA

Acabo de ler "Quando Nietzsche chorou", do Irvin D. Yalom. Deixo para a reflexão 3 frases que anotei no livro:

"HOJE ENTENDI QUE O MELHOR MESTRE É AQUELE QUE APRENDE COM SEU DISCÍPULO" pág. 338

"MORRA NO MOMENTO CERTO !" pág. 329. Para saber o momento certo o autor dá uma dica perguntando:

"VOCÊ JÁ CONSUMIU SUA VIDA ?"

Beleza !!!!

20 fevereiro 2007

ENSAIO

Levantou-se bem cedo, ainda atordoado da noite mal dormida. No quarto um cheiro gostoso de café que acabara de ser coado. Era sinal de que a mãe já estava em pé. Esfregou o rosto com as mãos e foi para a cozinha. Nossa, que cara é essa ? perguntou a mãe. Ele nada respondeu, passou direto e foi no quintal passar água no rosto. Já na cozinha de volta a mãe insiste: Até parece que não dormiu. Dormi um pouco, respondeu servindo-se de café quente numa caneca de alumínio. Vou até a cidade mas já volto, disse emendando. Fazer o quê assim tão cedo ?, quis saber a mãe. Nada, é rápido, respondeu, saindo pela porta da cozinha. Cruzou a passos largos o quintal, espantando algumas galinhas que por ali ciscavam. Atravessou o pasto pela trilha habitual, molhando as barras da calça com o orvalho da manhã. Em pouco tempo estava no meio do cafezal, cujo cheiro das flores lhe causavam tontura. Do alto do morro avistava a cidade há alguns quilômetros. Apressou ainda mais os passos. Estava com uma aparência aflita. Já na cidade parou em frente a uma casa pintada de ocre. Bateu palmas. Uma moça de cabelos pretos longos e molhados atendeu, com o pente na mão. Oi Lúcio, caiu da cama ? disse brincando. É, respondeu ele. Sua irmã já acordou ? Lourdes, o Lúcio está aqui, gritou ela olhando para dentro da casa. Rapidamente chegou à porta aquela que seria a Lourdes, também de cabelos longos, presos com prendedor, toda assustada. Que foi Lúcio ? perguntou. Preciso te falar uma coisa, disse ele num misto de vergonha e ansiedade. Fale, cobrou ela. Ele aguardou que a irmã da moça entrasse na casa para aproximar-se, e bem baixo disse que não conseguira dormir porque pensou nela a noite inteira. Enquanto falava ele sentia um calor anormal no rosto. Não conseguia levantar a cabeça e olhar nos olhos da Lourdes. Vim te dizer, murmurou quase inaudível, que estou te amando. Era isso que vim te dizer, arrematou cabixbaixo e envergonhado. Puxa Lúcio, gostei, disse ela passando a mão no rosto dele. Ele levantou o rosto e olhou nos olhos dela que estavam vermelhos e marejados. Beijaram-se. Rapidamente despediram-se. Ela entrou em sua casa acenando e ele respondendo enquanto acelerava os passos na volta para o sítio onde morava. Na volta não sentiu o cheiro das flores dos cafezais, nem orvalho, nada, pois estava voando tão alto que nem percebeu a volta.

TIO SANTO


Não sei porque a maioria das crianças acaba elegendo um parente para se apegar mais. Eu, por exemplo, adorava meu tio SANTO. Era esse o nome dele. SANTO CONQUISTA. Aliás fiquei a manhã toda de ontem tentando saber o motivo a que me levou a pensar no tio SANTO. Hoje descobri finalmente o porque. Estou fazendo uma cortina na garagem de bambu gigante. Lixei-os e agora estou pintando de várias cores fortes. Alguns bambus estão sendo atacados por uns bichinhos que parecem cupins, só que bem menores. Eles furam o bambu destruindo-o. Fui até uma loja especializada e me venderam um veneno para matar os bichinhos. Cinco ml para cinco litros de água, tamanha a potência inseticida do veneno. O cheiro é insuportável. Está lá no rótulo "venda apenas para empresas especializadas". O vendedor nem me perguntou se tenho empresa especializada. Após aplicar o veneno, tive que sair do cômodo onde estão os bambús. Lavei-me e o cheiro ficou impregnado nas mãos e roupa. Foi aí que lembrei-me do tio SANTO. Ele devia ter em torno de vinte e cinco anos e eu 6 ou 7 anos. Quando ele vinha nos visitar eu ia na Estação da Estrada de Ferro aguardá-lo. Dava a mão para ele e subíamos a ladeira da rua principal. Ele tinha que parar a cada cinquenta metros pois tinha os dois pulmões comprometidos pelo inseticida que pulverizava na lavoura sem nenhuma proteção. Ele transpirava às bicas. Morreu antes de completar trinta anos. Minha mãe quando recebeu a notícia foi chorar no fundo do quintal para que eu não a visse. Ela escondeu de mim essa notícia triste até quanto pode. Incrível até hoje vejo o tio SANTO sorrindo e me abraçando e se esforçando para falar comigo em tom de voz normal. A rosa aí é para ele. Homenagem póstuma em tempos de internet, mas com a mesma emoção de antes.

MOMENTO SECRETO

Essa conversa de que homem não chora é a maior besteira que inventaram a respeito do homem. Aquele choro de homem em público quando há alguma solenidade, é puro choro emocional, de momento. Não queira ver um homem escondido chorando de despero, solidão, depressão. É a coisa mais deprimente e triste do mundo. Nesse momento deixa de ser homem e passa ser um trapo humano. E com trapo pode-se fazer de tudo, inclusive exterminá-lo sem que ele se importe. O terrível disso tudo é que TODOS os homens têm seu momento de trapo humano secretamente.

02 fevereiro 2007

CICATRIZES DA MINHA ALMA

Sala rústica composta de mesa de madeira, 6 cadeiras com almofadas vermelhas e uma cistaleira de vidro. Um rapaz com os dois cotovelos sobre a mesa apoiava a cabeça com as mãos. Sobre a mesa e entre os cotovelos, o livro "Barro Blanco" do José Mauro de Vasconcellos. A luz fraca da sala, espalhava um tom amarelo no ambiente. O rapaz estava tão absorto na leitura que nem percebeu que sua mãe sentara à sua frente do outro lado da mesa. Só deu por conta disso ao movimentar-se quando virou a página do livro. Ela estava com lágrimas nos olhos. O que foi, mãe ? perguntou o rapaz, preocupado. Deve ser bom ler, né ? respondeu ela com um leve sorriso, enxugando as lágrimas com o dorso da mão. É, é muito bom ! respondeu ele. Vai deitar que já é tarde, disse ela levantando-se. O rapaz ficou olhando-a enquanto se afastava. Depois debruçou-se sobre os braços, só levantando-se ao sentir que também chorava.

30 janeiro 2007

UM PROJETO DE DAR ORGULHO




Estava "passeando" pelas mais de centenas de fotos que estão no computador, deparo-me com algumas que fiz na Escola Municipal de Dança de Araraquara. As fotos aí são de três alunos(as). No projeto desta escola, a renda per capita da família não pode passar de R$ 300,00, isto quer dizer, só se aceita matrícula ali de quem realmente não pode pagar. São crianças que na sua maioria vêm da periferia da cidade. Acompanho a evolução dessas crianças desde a inauguração da Escola há 4 anos e posso atestar que é simplesmente emocionante. Hoje falo com toda certeza do mundo. O pessoal periférico e pobre só não evolui como artista (de todas as áreas) porque falta oportunidades. No final do ano letivo de 2006 os alunos e alunas deram um verdadeiro show de emocionar qualquer um. Quem não viu não sabe o que perdeu.

24 janeiro 2007

MINHA VISITA

Apertei o botão da campainha e fiquei esperando a pergunta de praxe "quem é?" no interfone. Ao invés da pergunta, ouço o trinco da porta se abrir e surge a baixinha com cara de surpresa ao me ver. Abre um largo sorriso e vem me encontrar no meio da garagem. Trocamos beijos e abraço apertado. Ela desce com cuidado a escada interna da casa. Passamos pela sala e sentamos na cosinha. Falou-me da vida, coisas alegres e tristes. Ela, mesmo nas coisas tristes, sempre dava um jeito de sorrir. Lê um jornal todo dia. Anota as receitas de culinária que apresentam na televisão, faz comida e bolos deliciosos. Perguntou pelo Binho, pela Daniela e pela Taís. Eu cheguei às 13:30 horas, sem almoço, pretendia ficar 10 minutos, acabei ficando uma hora !! Rimos, nos emocionamos. Comi dois deliciosos pedaços de bolo de cenoura que ela fez com café fresco. Despedimo-nos com mais beijos e abraço. Tudo seria muito normal se a tia Ida não tivesse 85 anos.

19 janeiro 2007

ROTA DAS MISSÕES


Ainda no sul, mais especificamente no Rio Grande do Sul, visitei a Rota das Missões. Em São Miguel das Missões foi pura emoção. As ruínas, a história não contada nas escolas ou feita de forma tosca que esconde um passado doloroso. A foto que fiz é uma repetição de tantas outras que são de conhecimento público, mas mesmo assim tem um sabor especial, afinal foi eu que a tirei. Clique sobre a foto para ver melhor.

UMA TAÇA DE EMOÇÃO


Quando tinha completado 15 anos voltei para visitar minha cidade natal de Uchoa. Fui na casa do Turquinho, um grande amigo de infância. Ele estava cursando o que se chamava de 3º colegial. Sobre a mesa de estudo dele havia um livro de geografia. Apanhei o livro e comecei a folheá-lo. Numa das páginas havia uma foto de uma rocha de arenito que desenhava uma taça. Achei linda a foto e até conversamos sobre ela. O assunto passou e esqueci da foto. Recentemente, fazendo uma viagem até Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, bem na divisa da Argentina, passando por Ponta Grossa, leio numa placa “Visite Vila Velha” . Foi como um choque que me levou aos 15 anos. Parei o carro e entrei na cidade. No primeiro hotel que encontrei pedi informações ao atendente simpático. O parque de Vila Velha só atende turistas até às 15:30 hs e não abre às terças-feiras. Fiquei preocupado, não podia retardar a viagem por mais um dia e era segunda-feira, 14:00 hs. Eu estava muito cansado dos mais de 600 quilômetros da viagem. Resolvi que iria visitar os famosos arenitos mesmo cansado e quase sem tempo. Guardei as malas e lá fui eu. Foi simplesmente emocionante. De repente estava ali na minha frente a famosa taça de arenito com mais de 60 metros de altura e mais de 1 milhão de anos, que compartilho com todo mundo. Para visualizá-la melhor, clique sobre a foto para ampliá-la. Extraordinária !!!!

A VIDA É DIVERSÃO .......


Existe um gaucho muito "macho" apelidado de Cela. Como ele é "macho" não gosta que o chamem de Adir. Veja o jeitão dele aí na foto. Ele está passando por um pequeno problema. Todos os dias quando chega no seu apartamento ele olha para todos os lados e entra correndo. Motivo: Pintaram o prédio todo de rosa !!!! Pouco adianta entrar correndo no prédio. Muitos quando o encontram pelas ruas de Uruguaiana cumprimentam-no como sendo o homem do prédio rosa. Quando isso acontece ele tapa o rosto com as duas mãos e exclama: Bah, tchê, que vergonha !!

27 dezembro 2006

COM A PERMISSÃO DO BINHO

Oi pai, oi Cris, amores.
Hoje, como quase todo santo dia, despertador toca levanto me visto. Subida, metrô, van, trem. Por todos estes caminhos devo passar por umas cinco ou seis mudanças bruscas de temperatura. Vejo milhares de faces que nunca vou me lembrar. Ouço nomes, conversas, bebo café, vomito poluição. O trem tem a temperatura mais baixa. Deve ser pra condicionar os trabalhadores, deixá-los calmos para que não pensem quão tudo aquilo é difícil. Como são maltratados. Como é fétido o rio.Tem lírios na margem. Uma pequena horta e peixes boiando, mortos. Eu, sentado, lendo meu livro da TAZ - Zonas autonômas temporárias -Um tratato sobre anarquias, estudos sobre piratarias e, enfim, utopias. Dou uma pausa em cada estação, preciso saber onde estou. Entra um garoto, camisa com estampa de bichinho - laranja, mochila, tênis bem amarrado. Foi a mãe quem ensinou, imagino. Tem cara de ser bem esperto. Na verdade penso que toda criança deva ser um pequeno gênio (da lâmpada), liberta prá toda a maravilha do mundo. Senta-se no banco ao lado e pacientemente tira da mochila um disc-man, os fios estão todos embaralhados. O processo de arrumação da tralha toda leva uns cinco minutos. Fio plugado, disc-man apoiado na perna frágil com os pés balançando prá frente e prá trás. A escolha entre os dois cd´s é difícil. Qual ele deveria ouvir. Me parecia calmo e creio ter ficado feliz com a escolha. Cd no disc-man. Play. Play. Play. Play. Algo errado e uma expressão de surpresa. Abre a tampinha do compartimento de pilha. Nada. Vazia. Abre a mochila e revira. Outra peça embaralhada com os fios é a caixinha de força. Puxa fio, bufa, tira fio, bufa, enrola, guarda. Não tem lugar para ligar a caixinha! Desespero e monotonia invadem sua face. Olha pro teto. Deus. Novamente se volta pra tampinha do compartimento de pilha, abre, mexe na molinha, tóim, na esperança da mágica acontecer e ele poder viajar com a música. Fecha. Play, play, play, play. Bufa. Teto. DEUS! Bufa. Tira os fones do ouvido, pacientemente guarda o disc-man. Elis Regina canta no rádio do trem. Estridente. Cotovelo no joelho, mão no queixo. Desolado olha pro lado de fora e deve pensar o por que o mundo é tão cruel. Beijos pros dois. Binho

26 dezembro 2006

UFA !! ATÉ QUE ENFIM !!


Finalmente ficou pronta a edição do curta-metragem "A VISITA". O resultado não causou decepções, ficou dentro do previsto. Evoluimos mais um pouco na arte de filmar. Agora vamos ver a reação daqueles(as) que o assistirão.

25 dezembro 2006

A BEIRA DE UM APAGÃO

Realmente não me lembro de ter passado um ano como esse de 2006. Neste final de dezembro estou a beira de um apagão mental, tamanho é o cansaço que sinto no cérebro. Neste lapso temporal que chamamos de ano, aconteceu de tudo, dívidas que pareciam impagáveis, problemas pessoais difíceis de resolver, problemas profissionais de quebrar qualquer esperança de melhora, enfim, estou a beira de um ataque de nervos (não são só as mulher de Almodóvar que ficam assim). Interessante que no balanço geral, tudo se resolveu. Fizemos 3 documentários e dois curtas-metragens, além é claro, das minhas obrigações profissionais que me toma 8 horas diárias de segunda a sexta-feira e ainda alguns dias à noite. As vezes nem acredito que dei conta de tudo isso. Agora FÉRIAS !!!! Volto com a bateria carregada, e tudo recomeça, eis a VIDA !!!

26 novembro 2006

MEMÓRIAS SOLTAS

Meu padrinho Arsênio Carniello chamou-me e pediu-me para ir ajudá-lo na colheita de arroz. Não posso, respondi, vou trabalhar na colheita de arroz no sítio do senhor Gumercindo. Tá bom, respondeu-me, dando de ombros, como se percebesse que algo daria errado. O dinheiro que o senhor Gumercindo me pagaria, seria utilizado para comprar entrada para a matinéé, onde iria passar mais um capítulo do Flash Gordon. No dia combinado lá fui eu para o sítio do senhor Giumercindo, às 5:30 da manhã, junto com dois vizinhos. O mais velho de nós três tinha 12 anos. Eu apenas 10. Chegamos lá no sítio e o senhor Gumercindo já estava esperando, com a esposa e a filha, que tinha a mesma idade minha. Foi um dia duro de trabalho, as costas doíam a noite. As mãos mal conseguim fechar. A pele doía devido ao sol. No outro dia a mesma coisa, muito trabalho, sol, dor. Acabamos no final do segundo dia. Passamos pelo sítio do senhor Gumercindo para receber. Ele sentou-se na escada da casa e não falava nada de pagamento. O menino mais velho resolveu cobrar. O senhor Gumercindo olhou calmamente para ele e pediu que voltássemos no sábado para receber. Mal podia esperar pelo sábado. Logo cedinho lá vomos nós. A filha do senhor Gumercindo foi chamá-lo lá no fundo do quintal. Chegou bem perto de nós e perguntou se tínhamos ido receber pelo trabalho. Todos os três em uníssono: sim !!!! E ele: O pagamento fica por conta das melâncias que vocês roubaram do meu cafezal. Foi um choque. Comecei chorar ali mesmo. As lágrimas desciam molhando o rosto. A filha dele que estava logo atrás começou chorar compulsivamente. Nada adiantou, ele a puxou pelo braço e perderam dentro do casarão. Nem fui para casa, passei direto e fui para a casa do meu padrinho Arsênio. Fiquei sentado todo sisudo numa cadeira no canto da sala. E ele: O que foi Rube ?? Contei toda a história. E ele todo durão: Bem feito ! A madrinha que a tudo ouvia, depois de um tempo levantou-se, foi até o quarto, abriu uma caixa de papelão, juntou algumas moedas, contou, trouxe até a sala e me entregou-as. Pode ir no cinema amanhã, disse determinada. O padrinho não disse uma palavra, ficou ali olhando de canto de olho e tirando umas baforadas do cigarro de palha.

17 novembro 2006

PEIXE GRANDE OU O QUE FAZEMOS DA VIDA ?


Pela terceira vez assisto ao filme "PEIXE GRANDE". Como é surpreendente. Converso com as pessoas que assistiram-no e elas sequer dão valor ao desfecho da história. Há um conflito que parece insuperável do filho com o pai, que vivia de contar histórias fantasiosas sobre seu passado. Do nascimento desse filho, o pai lhe contara inúmeras vezes que ao nascer, ele, o pai, havia pescado um peixe grande, sinal de muita sorte. O filho não suportava mais essa história. Quando o pai caiu doente num leito de hospital, sem possibilidade de cura, o filho foi visitá-lo. Estava em coma. Entra no quarto o médico do pai, que por coincidência também fez o parto do filho. Após curto diálogo o médico lhe pergunta se sabe como foi a história do nascimento dele. Ele repete enfastiado a história do pai sobre o peixe grande. O médico olha em sua cara e diz: Isso é mentira, fantasia, na realidade sua mãe chegou aqui no hospital sozinha, pois seu pai era viajante e estava fora da cidade. Você nasceu com saúde e sua mãe passou bem, depois foi para casa. Foi um choque que o nascimento de uma criança pudesse ser tão chato assim !!! Simples, a mulher chega grávida, o filho nasce bem e a mãe pega o bebê e vai para casa. Para o pai não, o nascimento como não houve festa pela sua ausência tinha que ter algo muito maior, ele naquele dia pescara o maior peixe do rio que havia nos arredores da cidade. Na vida daquele pai tudo era realidade e fantasia que se misturavam num tubilhão de alegria. Monotonia jamais !! Acho que fiz bem em adquirir o DVD para minha coleção.

26 outubro 2006

O DIRETOR


Não basta ser diretor, precisa PARECER com diretor, vocês não acham ??? Comentem aí, por favor.

24 outubro 2006

VIDA DE ATOR EM FILME DE POBRE


O Adail mostrou que vida de ator em filme de diretor pobre não é fácil. Ele sem titubear sentou sobre o túmulo, retirou um sanduiche de mortadela de uma sacola plástica e comeu ali para fazer a cena. Como ele estava com fome (já passava das 2 da tarde e todo mundo sem almoço), ele devorou de verdade o lanche ali mesmo. Grande Adail. (para se ter uma noção da história que filmamos visite nossa postagem do dia 23/08/2006)

AÇÃO, TRANSPIRAÇÃO E PACIÊNCIA


Fazer um curta metragem sem dinheiro e com pouca estrutura é um desafio. Se o projeto do filme tiver que começar às 6 da manhã e terminar às 5 da tarde, o desafio é muito maior. Perto das cinco horas da tarde, já quase sem a luz natural e sem contar com energia elétrica, todo mundo cansado, mal alimentado, o set de filmagem fica um horror. Apesar de tudo valeu, já deu para descansar um pouco, agora é só esperar a edição. Uuuuhhh, que medo ....

04 outubro 2006

HOMENAGEM A ITAMAR ASSUMPÇÃO


Final de semana em Sampa foi demais ! Primeiro fomos na feirinha de antiguidades no Largo Pinheiros de onde fotografei a Igreja do Calvário aí da foto. À noite fomos assistir a um show em homenagem ao saudoso e sempre presente (para mim) Itamar Assumpção no SESC Pompéia, organizado pelo Arrigo Barnabé. Estavam ali vários amigos de caminhada do Itamar, inclusive a filha dele que eu não conhecia. Uma graça de pessoa, tão simpática como o pai. Linda, cantora das boas. Se fizeram presente também a banda Isca de Polícia, Ná Ozzeti, Zélia Duncan, Naná Vasconcelos. Foi um dos melhores shows que assistí na minha vida, tudo solto, alegre, vibrante, coisa linda !! O Itamar merecia essa reverência.

24 setembro 2006

A EMOÇÃO CORRIA SOLTA


No meu lado, apertada no meio da multidão, uma velhinha, magra, pequena, rosto cheio de rugas, na mão direita uma bandeira. Ela apertava os olhinhos e entre gritos e acenos ela chorava de emoção ao ver o Lula. Olhava para mim e sorria como criança. Não há sociologia que explique essa empatia. (clique na imagem para ampliá-la)

O BÊBADO SEM O EQUILIBRISTA


O Candidato a Presidente LUIZ INACIO LULA DA SILVA despejava mais de 1.200 wats de palavras sobre a multidão que o ovacionava delirante. No meio da multidão, indiferente a tudo o bêbado cavou seu espaço amplo para sacudir sua bandeira e tomar mais uma cervejinha.

31 agosto 2006

NA TELONA É OUTRA COISA


Foi apresentado ontem dia 30/08/2006, no teatro do SESC-ARARAQUARA, nosso documentário sobre a cidade de Araraquara. Fizemos um trabalho com fotos antigas e atuais, sobrepondo-as, que deu uma visão de como era antes a cidade e como está agora. Para os dias atuais, fizemos com filmadora, colocando a imagem em movimento. Ótimo resultado. Muitas pessoas que estavam no teatro do SESC me cumprimentaram em nome do grupo. A única ressalva é que nosso documentário foi gravado junto com outros, perdendo a qualidade de imagem e som e também ficou confusa a apresentação dos créditos dos autores. Uma pena. Na foto ao lado estão eu e o Paulinho fazendo o trabalho de filmagem.

23 agosto 2006

É ASSIM QUE SERÁ

O barraco da periferia está protegido com uma cerca rústica de arame farpado. No quintal descansa uma corrocinha de mão onde ele coloca o lixo reciclável. Ele acorda incomodado com os raios de sol que penetra pela fresta da janela do seu quarto. Senta-se na cama, vestindo camiseta com o nome de um político e uma calça velha e rasgada em alguns pontos. Levanta-se calmamente, vai até um tanque de cimento que está ao lado da casa. Abre a torneira ali existente e lava o rosto. Espalha espuma de sabonete pela barba de semana fazendo espuma. Apanha o aparelho de barbear descartável que estava numa fresta da parede e começa barbear-se. Passa água no rosto já barbeado. No fogão esquenta uma marmita de comida amanhecida. Depois de preparada a comida, coloca-a numa bolsa. Vai até ao lado da casa e apanha algumas flores que cultiva com cuidado. Faz um pequeno buquê amarrando-o com fita de pano. Guarda na bolsa com a marmita uma bíblia velha. Vai até o quarto e troca de roupa. Veste um terno cinza, coloca gravata escura, sapatos pretos limpos. Apanha a bolsa com a comida e a bíblia na mão esquerda e na mão direita o buquê de flores. Caminha até o ponto de ônibus. Desce ao lado de um cemitério. Pára diante de um túmulo. Recolhe algumas flores murchas e as substitui pelas novas. Abre a bolsa e apanha a bíblia e, em pé, faz suas orações. Fecha a bíblia e senta-se ao lado do túmulo. Ao meio-dia, almoça ali sentado. Já tardezinha fica de pé em frente ao túmulo e despede-se. Chega em casa ao cair da tarde, quase noite. Vai até a carrocinha, apanha uma corda e entra em casa. No quarto, pega uma cadeira e amarra a corda num caibro do telhado. Faz cuidadosamente um laço de forca. Com as mãos estica a corda para certificar-se de que está firme. Sobe na cadeira. Quando está pondo o laço no pescoço houve alguém batendo palmas no portão. A sequência desta história estará no meu próximo curta-metragem que será filmado agora no início de setembro.

06 agosto 2006

ESTOU COM RAIVA DOS ISRAELENSES

Alguém me mandou um e-mail com fotos de crianças dilaceradas pelas bombas dos judeus. Fiquei muito indignado com aquelas atrocidades. Mandei e-mail para algumas comunidades israelitas do Brasil mostrando toda minha raiva. Nada adiantou, eles ficam respondendo como se fossem santinhos. Cambada de safados !!!! Que venham me falar de holocausto. Queimei três DVD's e uma fita em VHS que tratavam de assuntos relacionados a judeus. A partir de agora não compro mais produtos de judeus (atenção a MAIORIA dos bancos do mundo inteiro pertencem a eles). Mudei o banco para a CEF. Filmes de judeus nunca mais. Não compactuo com Hysbollath (?), com nazistas, mas também odeio o que este povo está fazendo com crianças libanesas. ACABOU !!!!!!!!!!

23 julho 2006

O ESPAÇO E A ORIGEM DA VIDA

Há muitos anos tomei gosto por literatura que versasse sobre o espaço, origem da vida, religião, coisas assim. Adoro ver as fotos do espaço das galáxias e das nebulosas feitas pelo Hubble. Voltando esta sexta-feira de São Paulo, leio num livro que comprei numa banca o seguinte: "Num espaço infinito, inúmeras esferas luminosas em torno das quais rodam dezenas de outras menores, quentes no centro e cobertas com uma casca dura e fria onde uma névoa bolorenta originou a vida e os seres conhecidos. Esta é a realidade, o mundo." Irvin D. Yalom - A cura de Shopenhauer - Ediouro, pg. 63. O pensar e refletir humano é a coisa mais linda que poderia existir. Li este trecho, fechei o livro e fiquei apreciando a paisagem, com o corpo leve e feliz, mesmo sabendo que sou filho de bolor milenar.

13 julho 2006

O SORRISO DO MANO

Um rapaz entra no metrô apressado como todos os paulistanos. Senta-se no primeiro banco vago que encontra. Ele está vestindo uma jaquetão de mano, calça larga, toquinha rústica na cabeça. O rosto chupado, olhos vermelhos, desdentado. Todos sentem medo só de cruzar com o olhar dele. Num gesto rápido ele despe o jaquetão e aparece por baixo uma camiseta vermelha com a palavra "PAZ" gravada no peito. Deposita calmamente a jaqueta sobre os joelhos, encara a lourinha e sorri.

11 julho 2006

OS ANJOS DOS LOUCOS

Ninguém sabe o nome dele; fica vagando pelo bairro catando toquinhos de cigarros nas ruas. Não perturba ninguém e também não é perturbado. Vive o seu mundo. Conheço-o há muitos anos, sequer sei se ele fala. Nestes dias percebí que ele perdeu alguns dentes da frente. Estava sentado na calçada, como sempre com um pacote de papéis amassados sob o braço esquerdo. Segurava na mão direita um pão murcho que vez ou outra levava à boca. Começou cair uma chuva fina e fria sobre ele. Não se abalou, ficou ali mastigando o pão amanhecido. De repente olhou para o céu nublado e começou sorrir. Estava achando graça das brincadeiras dos anjos que só os loucos vêem.

05 julho 2006

FEITICEIRA

O comentário era forte. Dona Maria Perna de Pau era uma bruxa daquelas que só o olhar dela já botava medo. Os meninos da redondeza morriam de medo quando ouviam falar dela. Se ela se aborrecesse com alguém, tava ferrado. Por curiosidade eu passava todos os dias após o expediente de trabalho em frente a casa dela. Uma casinha humilde, no fundo de um quintal. Depois de muito tempo comecei a desconfiar de que aquela história era falsa porque eu passava ali há vários meses e nunca me deparei com a tal bruxa. Parecia lenda, coisas de crianças. Verdade seja dita, eu fazia um verdadeiro desafio à minha coragem porque sempre que entrava naquele quarteirão, tremia de medo em dar de encontro com tão sinistra pessoa. Certo dia, vireio o quarteirão despreocupado, nem pensava mais na bruxa. Ao aproximar da frente da casa da Dona Maria, eis que ela surge no portão. Começou caminhar na minha direção. Do joelho para baixo da perna direita era de pau e o pé ficava voltado para dentro. Ela mancava acintosamente para o lado direito. Na mão direita ela carregava uma vara que servia de bengala. Meu corpo ficou todo gelado, pensei em voltar. Diminuí os passos e fui em frente. Ao aproximar-me dela, notei seu rosto amarelado, aspecto doentio. Ela olhou para mim, deu um sorriso lindo, alegre, mostrando a falta de alguns dentes na frente e me desejou um "boa tarde meu filho". Fiquei tão aliviado que respondi alto o cumprimento dela. Parei na calçada e fiquei olhando-a, até que ela virou a esquina, para nunca mais vê-la. A Dona Maria Perna de Pau voltou a ser lenda.

25 junho 2006

FLOR DE MARACUJÁ


Na caminhada matinal de domingo, sobre um muro encontro uma flor de maracujá diferente e linda !! Nada como caminhar e ver no entorno o que tem de belo.

ATÉ ONDE PODE CHEGAR O HOMEM ?

Havia feito uma proposta a mim mesmo de que não me envolveria em assuntos da política, entretanto, nesses dias volto a ver na televisão uma cena que realmente me deixa perplexo. Foi na convenção do PSDB. No final um indivíduo (indivíduo é até elogio) coloca sua cabeça entre as pernas do candidato Geraldo Alkmim e o suspende sobre seus ombros. É estrarrecedor tamanho servilhismo humilhante. Se fosse meu pai nunca mais olharia em sua cara. Se fosse meu filho o desardaria. Carregar um político nas costas !!! Homem sem moral, sem amor próprio, servil, ralé, etc, etc. Fiquei indignado com aquele idiota que sequer conheço e jamais queria conhecê-lo. PS: Mereçe meu desprezo qualquer pessoa que carregue um político nas costas, seja o político de que partido for.

13 junho 2006

ONTEM E HOJE




São interessantes as mudanças que ocorrem nas cidades. São tão sutis que sequer as percebemos. Vejam esses três exemplos de como era ontem e hoje a esquina da Av. São Paulo com Rua São Bento na cidade de Araraquara.