04 maio 2008

PRIMEIRO DE MAIO DE 2008 - O QUE EU VI


O homem da foto estava muito bêbado. De tempos em tempos ele pegava numa sacola plástica uma garrafa de pinga e enchia o copo para esvaziá-lo em seguida. Não sei qual o sentido da vida para esse homem.

Ao ver este senhor com sua bengala, lembrei-me de uma letra de música antiga cantada pelo Altemar Dutra onde dizia "velho meu querido velho/agora já caminha lento/como perdoando o vento". Saudade dos meus pais.

Cabisbaixo ele lia. Lia o que? Sei lá, apenas lia acompanhado de sua solidão num ponto de ônibus urbano em pleno feriado de primeiro de maio.

Ela descia a rua rindo sozinha, feliz. Com certeza era a influência das flores que acabara de comprar.

20 abril 2008

O DIA DO PATO

O Joaquim, que era meu pai, resolveu que todo final de semana deveríamos comer carne de pato ou pata. Encarregava minha mãe de sacrificar o bicho, cortando-lhe a cabeça. Por mais que ela protestasse, não tinha jeito. Num determinado final de semana minha mãe se aborreceu e foi incisiva: Desta vez basta, não mato o bicho !!! Olhou para os lados procurando um filho ou filha. Azar o meu que estva passando por ali. É você, disse-me ela apontando com o dedo indicador. Nem esperou pela resposta. Virou-se e foi visitar uma conhecida que estava doente. Fiquei ali sem saber o que fazer com aquele bicho. Ele me encarava e eu com o olho nele. Alguém estava me chamando no portão e eu fui lá ver. Era o Isaac, vizinho e amigo. Não tive dúvida, chamei-o para me substituir na função de carrasco de pato. Dei-lhe uma faca velha e algumas instruções, como por exemplo que a cabeça do bicho tinha que ser decepada. Isaac pegou o bicho pela cabeça ficando com o corpo dependurado. Isaac começou "serrar" o pescoço do bicho. No menor sinal de sangue ele soltou o bicho que saiu correndo pelo mato do quintal vizinho. Foi em vão tentar pegá-lo. Desapareceu como num passe de mágica. Lembro-me que meu pai chegou em casa bêbado e salivando pensando em comer um pato cozido. Achou chuchu e abrobrinha para seu desespero. Eu estava bem escondido na casa do Isaac.

02 abril 2008

CADÊ OS NEGROS

Enquanto o Binho não me encontrava dentro do shopping Higienópolis, em Sampa, fiquei observando os clientes que por ali circulavam e as pessoas que trabalhavam nas lojas. NENHUM NEGRO. Minto, os guardas que ficam nas portas como Leão de chácara eram negros, daqueles bem grandes, com terno, gravata e óculos escuros. Um africano, desses que estão invadindo Sampa ultimamente, cruzou os saguões em passos rápidos e saiu pela porta lateral, sob vários olhares desconficados. De repente passou-me a sensação de que estava no lugar errado, que só confirmou quando paguei a conta do almoço. Um prato com uma porção de quibe cru e três charutinhos R$ 18,00.

NO CAOS DE CD´S E LIVROS UM TESOURO

No meio de centenas de livros do Binho encontro um que me chamou a atenção, não pelo seu autor que é conhecido, mas pelo seu tamanho. Deve medir 10x15 e tem 51 páginas, sendo 19 só de explicações sobre o tema e sobre a vida do autor EPICURO, 20 em grego e o restante em português. Nunca vi uma carta trazer tantas informações e conhecimento num espaço tão diminuto. Para adquiri-lo os dados são: "Carta sobre a felicidade" (a Meneceu), Ed. Unesp, EPICURO.

Na internet encontrei:

Epicuro
Nascimento 341 a. C.
Falecimento 270 a. C.
Escola/tradição Fundador do Epicurismo
Principais interesses Hedonismo, Atomismo
Idéias notáveis Epicurismo
Influenciados Hermarchus, Lucretius, Thomas Hobbes, Jeremy Bentham, J. S. Mill, Thomas Jefferson, Friedrich Nietzsche, Karl Marx, Michel Onfray, Hadrian, Metrodorus of Lampsacus (the younger), Philodemus, Amafinius, Catius

20 março 2008

DESCONFIEM DOS MORALISTAS

Sempre refleti sobre pessoas preconceituosas e moralizadoras e descobri que elas são preconceituosas e imorais. No recente caso do Governador de Nova York, (senhor Eliot Spitzer) para mim não foi surpresa quando ele afirmou ao lado da sua mulher que a traía com prostitutas e pior, com dinheiro público !! Ele ganhou a eleição sobre o tema da moralização. O moralizador é aquele que impõe regras duras aos outros que ele mesmo não consegue seguir. Na verdade há nele um desejo enorme de transgredir a próprias regras que impõe. Assim, desconfie-se daquele que vocifera contra homossexuais, prostitutas, etc. ele pode ser um enrustido homossexual ou amante de prostitutas. Lembro-me de um caso envolvendo um Desembargador de um Tribunal de Justiça que impunha nas suas sentenças o máximo da pena para os chamados crimes contra a moral e os bons costumes, sempre, evidentemente, ligados às questões sexuais. Quando se aposentou, voltou ao seu gabinete para buscar seus livros particulares que lá ficaram. Ao sair passou a mão acintosamente nas nádegas da sua ex-secretária. Moralistas, pois, pois.

02 março 2008

MAIS UM INQUILINO OU SERÁ UMA INQUILINA ?



Logo pela manhã de sábado uma algazarra de passarinhos no fundo do quintal me chamou a atenção. Era um bando de sabiás laranjeira. Fui ver o que estava acontecendo. Eles estavam nervosos com a presença de uma coruja buraqueira que posou numa das folhas do meu pé de mamão. Eles faziam a maior algazarra ao lado dela e ela não estava nem aí, até parecia que não estava ouvindo. Como para morar nesse humilde quintal deve ter foto de registro, peguei a máquina e cadastrei o novo bichinho. A única dúvida é se se trata de uma coruja ou um corujo.

PROMESSA É DÍVIDA


Como choveu muito de à noite de sexta (29/02) para sábado (01/03), o FOFÃO, meu sapo de estimação, resolveu sair da toca e passear durante o dia, o que não é comum. Chequei até a pensar que ele fez de propósito depois que prometi fotografá-lo. Eu me aproximei com a máquina fotográfica na mão e ele nem se mexeu, ficou fazendo pose. Vejam aí, o FOFÃO tomando sol.

23 fevereiro 2008

CHOCANTE

Acabo de assistir TARTARUGAS PODEM VOAR do iraniano BAHMAN GHOBADI. Não me lembro de ter assistido um filme tão chocante, provocador, triste. Muitas crianças. Vida infantil dura, sofrida, numa terra abandonada por Deus e pelos homens. Acho que vou chorar ...

FOFÃO

Há dias que não via o Fofão ..... Bem, deixa começar história desde o início. Chego em casa ali pelas 22 horas e vejo um bando de meninos e meninas numa roda fazendo a maior algazarra em frente ao meu portão. Paro o carro e vou ver o que se sucede. No meio da roda, sendo cutucado com varas e levando alguns chutes estava um sapo. Dei uma tremenda duma bronca na gurizada e toquei o sapo para dentro do meu quintal. O pai de um dos meninos ficou estupefato. O senhor vai deixar esse sapo no seu quintal ?? perguntou arregalando os olhos. Vou sim, respondi secamente. Batizei o bichinho de FOFÃO porque ele tem um barrigão e é muito desajeitado quando pula. Ontem a noite fui no quintal espantar uns gatos barulhentos e quem eu vejo ? O FOFÃO ! Deve ter muita comida aqui para ele, afinal ele engordou mais, ficou mais lento ao saltar. Que fique por aqui e em paz. No próximo encontro vou fotografá-lo.

OS BELOS SEGREDOS DO MEU QUINTAL







Construí uma modestíssima casa num terreno 12X20. Primeira providência foi NÃO CALÇAR O QUINTAL. Plantei grama, depois plantei 6 pés de mamão, dois de laranja, quatro goiabeiras, dois de pinha, um de maçã, um de uvaia, dois de tangerina, um de jaboticaba sabará, melancia, pimenta, manacá da serra, e muitas roseiras. Depois de dois anos e meio já colhi jaboticabas, goiabas, melancias. Vejam aí as fotos do meu "sitio". A goiaba da foto fiz questão de não colher para que sirva de alimento aos pássaros que diariamente visitam a goiabeira. Essa lagarta que é inquilina do meu pé de goiabeira é uma das maiores que já vi e logo será uma imensa borboleta. Ah, sim, quando ameaça o stress eu crio "obras de arte" como estes bambús pintados que pendurei na garagem.

10 fevereiro 2008

TÃO LONGE E TÃO PERTO



Uma boa aquisição de equipamento fotográfico que fiz foi comprar uma lente de 300 mm (70X300), da marca Canon. Excelente. Veja no exemplo duas fotos feitas, a segunda há mais de 2000 metros do prédio, a primeira, seguramente há mais de 3000 metros do centro da cidade. Dá prazer fotografar assim. Não custa lembrar que para ver melhor clique sobre a imagem.

VERÃO NÃO É SÓ CALOR E CHUVA




É no verão que a natureza nos dá o prazer de lindas imagens, sobretudo das nuvens. Como não há palavras para explicar toda essa beleza eu fotografo e distribuo a todos.

26 janeiro 2008

E ASSIM ESTAMOS EM 2008


No primneiro dia do ano o centro da cidade estava vazio. Raras pessoas pelas ruas o que me deu uma visão rara e real deste pedaço da cidade.

Todos os dias é a mesma coisa às 6:30 da manhã. Ele chega e começa a cantar repetidamente. Desta vez abri a janela com cuidado e o fotografei. O bem-te-vi com a máscara do zorro. Meu despertador matutino.

25 novembro 2007

ENSAIO - ÚLTIMA PARTE

Até que enfim acabo hoje o conto feito em quatro partes. O final é inusitado, vejam:

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Lino chegou até a porta, levou a espingarda na altura do ombro direito, olhou na mira e visualizou a nuca do rapaz mais jovem. O outro estava na mesma direção, rindo alto. Ele estava segurando nas orelhas do cabritinho preso na forquilha de cabeça para baixo. O bichinho berrava desesperado e babava. Lino observou com o outro olho que o velho havia esquartejado o veado catingueiro e o estava salgando. Virou os olhos para mim que estava no seu lado direito e me disse:
Vamos acabar com isso logo. Com apenas um tiro acabo com os dois moços e com o outro cartucho acerto o velho. Vai ser uma desgraceira com muito sangue, depois não vai reclamar.
Calma Lino, retruquei, isso é apenas uma brincadeira, eles são pessoas virtuais.
Tá bom, disse, se é assim então lá vai, tape os ouvidos que o barulho vai ser forte. Contraiu um pouco os olhos. O dedo indicador da sua mão direita começou apertar o gatilho.
Foi nesse momento que trago a seta do mouse até o retângulo laranja da postagem e clico "publicar postagem" e me despeço do Lino, um homem virtual.

18 novembro 2007

ENSAIO - PARTE III - PENÚLTIMA

O Moço tem muitos bichos aqui no quintal, disse o homem que estava sentado na sala. Ele levantou-se foi até o pote de barro e serviu-se de uma caneca com água. Lino que ainda estava absorto em seus pensamentos assustou-se, nada respondendo. O jovem e o mais velho ainda estavam tirando o couro do veado catingueiro no quintal. O terceiro homem estava de costas para o Lino enquanto entornava a caneca com água. Lino percebeu que eles haviam deixado as espingardas encostadas na parede. Lino sentiu um frio passando pelo corpo e uma vontade enorme de saltar sobre elas e sair disparando. E se elas estiverem descarregadas ? Aí ficarei nas mãos deles, pensou. Sentia a testa suar. O homem que estava tomando água depositou a caneca sobre o fogão, pegou as duas espingardas e foi para o quintal. Lino abaixou a cabeça confuso. Lá fora o homem que acabara de sair fazia troça com os outros dois, que lutavam para tirar o couro do animal morto sem cortar a carne. O mais velho voltou para dentro da casa para pegar o sal. Estava cheirando a sangue. Suas mãos e camisa estavam lambuzadas do líquido vermelho. Pegou o sal e voltou para o quintal, antes, porém, disse matreiramente a Lino que suas cabras estavam prontas para um bom churrasco. Lino nada respondeu, só sentia pelo pior. Lá no quintal o mais jovem corria atrás dos cabritinhos e o outro juntava no chão as entranhas do animal morto numa lata velha e enferrujada. Leva-a até a cerca do fundo do quintal e despeja seu conteúdo que servirá de comida aos urubus. O mais velho tirou o bicho morto da forquilha e o depositou sobre um estrado de madeira. O couro ele esticou com estacas após salgá-lo. Estavam todos os três distraídos. Suas espingardas estavam sobre o coxo de madeira. Uma idéia passou pela cabeça do Lino que assistia o movimento dos três homens. Pensava Lino em antecipar qualquer desgraça. Deveria aproveitar esse momento de distração dos homens, pegar sua espingarda e atirar neles. Tinha que ser rápido e escolher dois, afinal sua espingarda só tinha dois cartuchos e recarregá-la poderia demorar e ele ser alcançado por aquele que restar. Poderia matar dois e correr, pensou. Talvez fosse mais fácil atirar em dois e agarrar-se ao mais fraco, quem sabe o velho. É isso, pensou Lino. Atiro nos dois jovens e me agarro ao mais velho, se der acerto a cabeça dele com a coronha da espingarda. Lino transpirava e seu coração batia forte. Afastou-se calmamente até a porta do quarto sem virar-se. Com a mão esquerda foi tateando pela parede até sentir o cano frio da espingarda. Agarrou-o e a trouxe para perto do corpo. O mais jovem dos homens agarrara um cabritinho pela pernas traseiras e o trazia para perto da forquilha de cabeça para baixo. O bichinho berrava e se debatia desesperadamente, talvez assustado com o cheiro de sangue coagulado que manchara o chão. O outro jovem veio em socorro do amigo. Ambos estavam ocupados em pendurar o cabritinho na forquilha pelas pernas traseiras. O mais velho estava salgando a carne do veado catingueiro sobre o estrado de madeira que Lino usava para as tarefas diárias no quintal. Esta é a hora, pensou Lino. Os mais jovens estavam juntos, era difícil errar o tiro. O mais velho estava de costas desarmado e longe das espingardas. Lino enxugou o suor da testa, engatilhou a espingarda e cautelosamente encaminhou até a porta.

15 novembro 2007

FLORES DO CAMPO E CLOSE-UP NO JARDIM

Receita: Pega-se uma máquina fotográfica, coloque-a numa bolsa. Verifique se os pneus da bicicleta estão cheio de ar adequadamente. Mire-se para a periferia da cidade e vá sem destino, mas para o meio do mato. Lá chegando dê uma boa olhada nos mínimos detalhes que vai descobrir a transformação da natureza neste início de verão chuvoso. Flores simples e complexas se misturam e alegram o ambiente. As duas primeiras (flor de goiabeira e botão de rosa) foram tiradas no meu jardim com uma lente de 60 mm. Divirtam-se. Ampliadas ficam muito mais bonitas. Tente, pois.






02 novembro 2007

DIA DE FINADOS


Araraquara tem uma história muito interessante acontecida na passagem do séc XIX para o XX. Um rapaz chamado Rosendo Brito matou um fazendeiro de uma família tradicional da cidade (um pesquisador diz que foi legítima defesa). Esse rapaz foi preso junto com o tio que estava no local do crime. Poucos dias depois os capangas do fazendeiro invadiram a cadeia, retiraram os dois de lá e os lincharam. Como na época estava havendo um surto de febre amarela, os três foram enterrados provisóriamente fora da cidade. Anos depois os restos mortais do fazendeiro foram trazidos para o cemitério central, já os dois Britos permaneceram no mesmo local. Hoje o cemitério leva o nome deles "Britos". Onde eles foram enterrados construíram uma igreja (essa da foto). Muitos acreditam que eles são milagreiros, até tem uma sala de agradecimentos pelas graças recebidas.

Nunca pesquisei sobre o ato de queimar velas em cemitérios, igrejas, cultos, etc. O fato é que não gosto, o cheiro dessas velas comuns é horrível. Entretanto, as pessoas obedecem essa tradição antiga, sabe lá porque. Neste local onde aparecem essas pessoas da foto, o calor e o cheiro estavam insuportáveis, mas a cada minuto chegavam mais gente. Outra coisa que notei é que esse ano a concorrência religiosa estava no auge. No portão do cemitério havia gente de todos os credos, cada um com um Deus melhor que o outro empurrando panfleto com a sua propaganda, o que me fez lembrar a boca de urna nas eleições, aí me veio à mente uma música antiga cantada pelo Carlos José cuja estrofe diz: Porém, há um caso diferente/cada qual com sua gente/cada homem com seu Deus.

A velhinha veio andando lentamente amparada pelo rapaz de mais ou menos 40 anos que deduzo ser seu filho. Eles param atrás de um túmulo onde só tem uma cruz pintada com cal. Ela acende uma vela e a coloca ao lado da cruz junto com um vasinho de flores vermelhas artificiais. Num gesto inusitado ela acende um cigarro e também o coloca junto da vela e do vaso. Viram-se e vão embora. Concluo que o falecido morreu de enfisema pulmonar.

FOTOS PARA FOLDERS


Talita, uma das três atrizes que estarão na peça "Damas Horizontais". No estudio improvisado a temperatura ultrapassava os 35 graus devido aos holofotes. Mas valeu a experiência do fotófrafo amador.

A Raquel também será uma das personagens da peça, porisso a pose inigmática.

A atriz Fabiana em pose para foto que fará parte do folder de propaganda da próxima peça que irá atuar.

22 outubro 2007

ENSAIO (parte II) A SAGA CONTINUA

Aqui vai a segunda parte do ensaio. Lembre-se, serão 4 partes, continuo não sabendo o que se passará na terceira parte nem como acabará essa aventura.

ENSAIO (parte II)
Lino foi até o quarto. Puxou um pano que estava preso à parede do quarto que serve como cortina. O pano quase opaco fechou a visão escancarada do quarto. Lino foi até a cabeceira da sua cama, enfiou o braço direito por debaixo dela e apanhou a espingarda de dois canos que guardava ali ao alcance da mão. Dobrou o cano e certificou-se de que estava carregada com dois cartuchos. Levou-a até a porta do quarto e a encostou ao lado de uma caixa numa posição de fácil manuseio, caso fosse necessário. Lino voltou-se para a sala. Ao passar diante da porta, viu um dos rapazes trazendo preso às costas o veado catingueiro. Ele entrou na casa sorrindo. Posso usar sua forquilha para tirar o couro do bicho e salgar a carne ?, perguntou ao Lino. Antes mesmo que Lino respondesse o rapaz passou por ele encaminhando-se até o quintal onde estava a forquilha que Lino usava para preparar os cabritos que matava para comer. Pode, respondeu Lino, e se precisar de uma faca boa de corte tenho aí uma guardada, emendou. Carece não disse o mais velho, levantando-se do banco de madeira e seguindo o jovem com o animal morto. Vou ensinar esse cabra lidar com bicho morto, é o primeiro que caça na vida, completou. Ouvindo essas palavras Lino lembrou-se do seu pai. Quando completara 13 anos, seu pai o levou para caçar. Primeiro tomou o cuidado em ensinar-lhe como usar a espingarda. Parecia que ainda doía seu ombro direito onde apoiava a arma. O coice que ela dava ao disparar era muito forte para uma criança de 13 anos, mas Lino se fazia de durão e continuava atirando. Foi treino de uma semana na caatinga. No outro dia sairiam para a primeira caçada. Lino lembrava que aquela noite nem dormira direito, sem saber até hoje se pela emoção da primeira caçada ou do medo de atirar e ver o animal morto e ensanguentado, embora acostumado a assistir o pai sacrificar cabras e porcos no quintal. Mas desta vez seria diferente, era ele o executor da façanha. O dia ainda não tinha amanhecido quando o pai do Lino o acordou. Em minutos ganhavam o estradão de terra batida. O pai do Lino montado no seu cavalo preferido, todo preto com pêlos brilhantes. Lino montava um potro branco com pintas pretas e pequenas por todo o corpo, um animal fogoso devido sua juventude. Naquele dia tudo foi muito estranho, Lino e seu pai não encontraram nenhum animal de bom porte que valesse a pena matar. Retornaram ainda com o sol alto. No meio do caminho de volta o pai do Lino teve uma idéia. Chegando em casa pediu a ele que não descesse do cavalo. Foi até o cercado apanhou um cabrito no colo e trouxe próximo do Lino. Você vai caçar esse bicho, disse o pai encarando-o. Fique ali perto daquele tronco, disse o velho apontando o lugar, que devia estar a uns 20 ou 25 metros do local. Quando eu der o sinal vou soltar esse cabrito e você vai atrás dele e mate com um tiro, completou. Lino tremeu, nervoso. E não atire na posição de traseira da caça, senão pode acertar a cabeça do cavalo, ensinou seu velho. Fique parelho, exigiu. Lino ainda nervoso tomou posição, segurando a espingarda com as duas mãoes e com um dedo da mão direita prendia a rédea. Engatilhou a arma e ficou atento ao sinal do pai. Já !, gritou o velho soltando o animal. Lino esporou o cavalo que saiu correndo atrás do cabrito. Lino puxou a rédea levemente para a direita para se posicionar melhor. Alcançou o bicho, apontou a arma sentindo o coração bater forte. Tocou delicadamente no gatilho para não disparar antecipadamente. Ficou paralelo ao cabrito. Apertou forte no gatilho ouvindo um enorme estalo. O cabrito virou uma pirueta caindo de costas levantando poeira. O pai do Lino veio correndo. Lino parou o cavalo e voltou sem pressa. Ele tremia dos pés à cabeça. Ao aproximar do animal, Lino não desceu do cavalo, aguardou seu pai chegar. O velho chegou ofegante, ajoelhou ao lado do cabrito, examinou o ferimento, depois olhou para o filho com os olhos contraídos para evitar o excesso de luminosidade. Sorriu mostrando seus dentes pretos e orgulhosamente disse: Você atira bem rapaz!, vamos lá no quintal prender o bichinho na forquilha que vou te ensinar como se tira um couro.

15 outubro 2007

COMEÇOU A NOVA AVENTURA

Semana que vem eu darei andamento ao conto que iniciei já que ninguém se habilitou em fazê-lo. O Junior diz que corrigirá o texto, vou cobrar. Começamos neste final de semana a mais nova aventura, filmar um média metragem. Como sempre foi dificílimo. Os figurantes não entendiam a demora em filmar uma cena. Não entendiam que não se tem hora para começar as tomadas de cena e a hora de terminar. Num lugar ermo e longe, começamos filmar às 16:00 horas sob um sol intenso e calor insuportável. Não aguentava mais reclamação. Colocávamos cervejas nas mesas que serviriam de cenário, os figurantes bebiam todas. A última cena foi finalizada às 0:15 horas. Nas fotos, pela ordem de cima para baixo: No centro da foto destacando o ator Zé Campanholo, as atrizes Marcela (da esquerda)e Rosa e uma geral.