17 novembro 2006

PEIXE GRANDE OU O QUE FAZEMOS DA VIDA ?


Pela terceira vez assisto ao filme "PEIXE GRANDE". Como é surpreendente. Converso com as pessoas que assistiram-no e elas sequer dão valor ao desfecho da história. Há um conflito que parece insuperável do filho com o pai, que vivia de contar histórias fantasiosas sobre seu passado. Do nascimento desse filho, o pai lhe contara inúmeras vezes que ao nascer, ele, o pai, havia pescado um peixe grande, sinal de muita sorte. O filho não suportava mais essa história. Quando o pai caiu doente num leito de hospital, sem possibilidade de cura, o filho foi visitá-lo. Estava em coma. Entra no quarto o médico do pai, que por coincidência também fez o parto do filho. Após curto diálogo o médico lhe pergunta se sabe como foi a história do nascimento dele. Ele repete enfastiado a história do pai sobre o peixe grande. O médico olha em sua cara e diz: Isso é mentira, fantasia, na realidade sua mãe chegou aqui no hospital sozinha, pois seu pai era viajante e estava fora da cidade. Você nasceu com saúde e sua mãe passou bem, depois foi para casa. Foi um choque que o nascimento de uma criança pudesse ser tão chato assim !!! Simples, a mulher chega grávida, o filho nasce bem e a mãe pega o bebê e vai para casa. Para o pai não, o nascimento como não houve festa pela sua ausência tinha que ter algo muito maior, ele naquele dia pescara o maior peixe do rio que havia nos arredores da cidade. Na vida daquele pai tudo era realidade e fantasia que se misturavam num tubilhão de alegria. Monotonia jamais !! Acho que fiz bem em adquirir o DVD para minha coleção.

26 outubro 2006

O DIRETOR


Não basta ser diretor, precisa PARECER com diretor, vocês não acham ??? Comentem aí, por favor.

24 outubro 2006

VIDA DE ATOR EM FILME DE POBRE


O Adail mostrou que vida de ator em filme de diretor pobre não é fácil. Ele sem titubear sentou sobre o túmulo, retirou um sanduiche de mortadela de uma sacola plástica e comeu ali para fazer a cena. Como ele estava com fome (já passava das 2 da tarde e todo mundo sem almoço), ele devorou de verdade o lanche ali mesmo. Grande Adail. (para se ter uma noção da história que filmamos visite nossa postagem do dia 23/08/2006)

AÇÃO, TRANSPIRAÇÃO E PACIÊNCIA


Fazer um curta metragem sem dinheiro e com pouca estrutura é um desafio. Se o projeto do filme tiver que começar às 6 da manhã e terminar às 5 da tarde, o desafio é muito maior. Perto das cinco horas da tarde, já quase sem a luz natural e sem contar com energia elétrica, todo mundo cansado, mal alimentado, o set de filmagem fica um horror. Apesar de tudo valeu, já deu para descansar um pouco, agora é só esperar a edição. Uuuuhhh, que medo ....

04 outubro 2006

HOMENAGEM A ITAMAR ASSUMPÇÃO


Final de semana em Sampa foi demais ! Primeiro fomos na feirinha de antiguidades no Largo Pinheiros de onde fotografei a Igreja do Calvário aí da foto. À noite fomos assistir a um show em homenagem ao saudoso e sempre presente (para mim) Itamar Assumpção no SESC Pompéia, organizado pelo Arrigo Barnabé. Estavam ali vários amigos de caminhada do Itamar, inclusive a filha dele que eu não conhecia. Uma graça de pessoa, tão simpática como o pai. Linda, cantora das boas. Se fizeram presente também a banda Isca de Polícia, Ná Ozzeti, Zélia Duncan, Naná Vasconcelos. Foi um dos melhores shows que assistí na minha vida, tudo solto, alegre, vibrante, coisa linda !! O Itamar merecia essa reverência.

24 setembro 2006

A EMOÇÃO CORRIA SOLTA


No meu lado, apertada no meio da multidão, uma velhinha, magra, pequena, rosto cheio de rugas, na mão direita uma bandeira. Ela apertava os olhinhos e entre gritos e acenos ela chorava de emoção ao ver o Lula. Olhava para mim e sorria como criança. Não há sociologia que explique essa empatia. (clique na imagem para ampliá-la)

O BÊBADO SEM O EQUILIBRISTA


O Candidato a Presidente LUIZ INACIO LULA DA SILVA despejava mais de 1.200 wats de palavras sobre a multidão que o ovacionava delirante. No meio da multidão, indiferente a tudo o bêbado cavou seu espaço amplo para sacudir sua bandeira e tomar mais uma cervejinha.

31 agosto 2006

NA TELONA É OUTRA COISA


Foi apresentado ontem dia 30/08/2006, no teatro do SESC-ARARAQUARA, nosso documentário sobre a cidade de Araraquara. Fizemos um trabalho com fotos antigas e atuais, sobrepondo-as, que deu uma visão de como era antes a cidade e como está agora. Para os dias atuais, fizemos com filmadora, colocando a imagem em movimento. Ótimo resultado. Muitas pessoas que estavam no teatro do SESC me cumprimentaram em nome do grupo. A única ressalva é que nosso documentário foi gravado junto com outros, perdendo a qualidade de imagem e som e também ficou confusa a apresentação dos créditos dos autores. Uma pena. Na foto ao lado estão eu e o Paulinho fazendo o trabalho de filmagem.

23 agosto 2006

É ASSIM QUE SERÁ

O barraco da periferia está protegido com uma cerca rústica de arame farpado. No quintal descansa uma corrocinha de mão onde ele coloca o lixo reciclável. Ele acorda incomodado com os raios de sol que penetra pela fresta da janela do seu quarto. Senta-se na cama, vestindo camiseta com o nome de um político e uma calça velha e rasgada em alguns pontos. Levanta-se calmamente, vai até um tanque de cimento que está ao lado da casa. Abre a torneira ali existente e lava o rosto. Espalha espuma de sabonete pela barba de semana fazendo espuma. Apanha o aparelho de barbear descartável que estava numa fresta da parede e começa barbear-se. Passa água no rosto já barbeado. No fogão esquenta uma marmita de comida amanhecida. Depois de preparada a comida, coloca-a numa bolsa. Vai até ao lado da casa e apanha algumas flores que cultiva com cuidado. Faz um pequeno buquê amarrando-o com fita de pano. Guarda na bolsa com a marmita uma bíblia velha. Vai até o quarto e troca de roupa. Veste um terno cinza, coloca gravata escura, sapatos pretos limpos. Apanha a bolsa com a comida e a bíblia na mão esquerda e na mão direita o buquê de flores. Caminha até o ponto de ônibus. Desce ao lado de um cemitério. Pára diante de um túmulo. Recolhe algumas flores murchas e as substitui pelas novas. Abre a bolsa e apanha a bíblia e, em pé, faz suas orações. Fecha a bíblia e senta-se ao lado do túmulo. Ao meio-dia, almoça ali sentado. Já tardezinha fica de pé em frente ao túmulo e despede-se. Chega em casa ao cair da tarde, quase noite. Vai até a carrocinha, apanha uma corda e entra em casa. No quarto, pega uma cadeira e amarra a corda num caibro do telhado. Faz cuidadosamente um laço de forca. Com as mãos estica a corda para certificar-se de que está firme. Sobe na cadeira. Quando está pondo o laço no pescoço houve alguém batendo palmas no portão. A sequência desta história estará no meu próximo curta-metragem que será filmado agora no início de setembro.

06 agosto 2006

ESTOU COM RAIVA DOS ISRAELENSES

Alguém me mandou um e-mail com fotos de crianças dilaceradas pelas bombas dos judeus. Fiquei muito indignado com aquelas atrocidades. Mandei e-mail para algumas comunidades israelitas do Brasil mostrando toda minha raiva. Nada adiantou, eles ficam respondendo como se fossem santinhos. Cambada de safados !!!! Que venham me falar de holocausto. Queimei três DVD's e uma fita em VHS que tratavam de assuntos relacionados a judeus. A partir de agora não compro mais produtos de judeus (atenção a MAIORIA dos bancos do mundo inteiro pertencem a eles). Mudei o banco para a CEF. Filmes de judeus nunca mais. Não compactuo com Hysbollath (?), com nazistas, mas também odeio o que este povo está fazendo com crianças libanesas. ACABOU !!!!!!!!!!

23 julho 2006

O ESPAÇO E A ORIGEM DA VIDA

Há muitos anos tomei gosto por literatura que versasse sobre o espaço, origem da vida, religião, coisas assim. Adoro ver as fotos do espaço das galáxias e das nebulosas feitas pelo Hubble. Voltando esta sexta-feira de São Paulo, leio num livro que comprei numa banca o seguinte: "Num espaço infinito, inúmeras esferas luminosas em torno das quais rodam dezenas de outras menores, quentes no centro e cobertas com uma casca dura e fria onde uma névoa bolorenta originou a vida e os seres conhecidos. Esta é a realidade, o mundo." Irvin D. Yalom - A cura de Shopenhauer - Ediouro, pg. 63. O pensar e refletir humano é a coisa mais linda que poderia existir. Li este trecho, fechei o livro e fiquei apreciando a paisagem, com o corpo leve e feliz, mesmo sabendo que sou filho de bolor milenar.

13 julho 2006

O SORRISO DO MANO

Um rapaz entra no metrô apressado como todos os paulistanos. Senta-se no primeiro banco vago que encontra. Ele está vestindo uma jaquetão de mano, calça larga, toquinha rústica na cabeça. O rosto chupado, olhos vermelhos, desdentado. Todos sentem medo só de cruzar com o olhar dele. Num gesto rápido ele despe o jaquetão e aparece por baixo uma camiseta vermelha com a palavra "PAZ" gravada no peito. Deposita calmamente a jaqueta sobre os joelhos, encara a lourinha e sorri.

11 julho 2006

OS ANJOS DOS LOUCOS

Ninguém sabe o nome dele; fica vagando pelo bairro catando toquinhos de cigarros nas ruas. Não perturba ninguém e também não é perturbado. Vive o seu mundo. Conheço-o há muitos anos, sequer sei se ele fala. Nestes dias percebí que ele perdeu alguns dentes da frente. Estava sentado na calçada, como sempre com um pacote de papéis amassados sob o braço esquerdo. Segurava na mão direita um pão murcho que vez ou outra levava à boca. Começou cair uma chuva fina e fria sobre ele. Não se abalou, ficou ali mastigando o pão amanhecido. De repente olhou para o céu nublado e começou sorrir. Estava achando graça das brincadeiras dos anjos que só os loucos vêem.

05 julho 2006

FEITICEIRA

O comentário era forte. Dona Maria Perna de Pau era uma bruxa daquelas que só o olhar dela já botava medo. Os meninos da redondeza morriam de medo quando ouviam falar dela. Se ela se aborrecesse com alguém, tava ferrado. Por curiosidade eu passava todos os dias após o expediente de trabalho em frente a casa dela. Uma casinha humilde, no fundo de um quintal. Depois de muito tempo comecei a desconfiar de que aquela história era falsa porque eu passava ali há vários meses e nunca me deparei com a tal bruxa. Parecia lenda, coisas de crianças. Verdade seja dita, eu fazia um verdadeiro desafio à minha coragem porque sempre que entrava naquele quarteirão, tremia de medo em dar de encontro com tão sinistra pessoa. Certo dia, vireio o quarteirão despreocupado, nem pensava mais na bruxa. Ao aproximar da frente da casa da Dona Maria, eis que ela surge no portão. Começou caminhar na minha direção. Do joelho para baixo da perna direita era de pau e o pé ficava voltado para dentro. Ela mancava acintosamente para o lado direito. Na mão direita ela carregava uma vara que servia de bengala. Meu corpo ficou todo gelado, pensei em voltar. Diminuí os passos e fui em frente. Ao aproximar-me dela, notei seu rosto amarelado, aspecto doentio. Ela olhou para mim, deu um sorriso lindo, alegre, mostrando a falta de alguns dentes na frente e me desejou um "boa tarde meu filho". Fiquei tão aliviado que respondi alto o cumprimento dela. Parei na calçada e fiquei olhando-a, até que ela virou a esquina, para nunca mais vê-la. A Dona Maria Perna de Pau voltou a ser lenda.

25 junho 2006

FLOR DE MARACUJÁ


Na caminhada matinal de domingo, sobre um muro encontro uma flor de maracujá diferente e linda !! Nada como caminhar e ver no entorno o que tem de belo.

ATÉ ONDE PODE CHEGAR O HOMEM ?

Havia feito uma proposta a mim mesmo de que não me envolveria em assuntos da política, entretanto, nesses dias volto a ver na televisão uma cena que realmente me deixa perplexo. Foi na convenção do PSDB. No final um indivíduo (indivíduo é até elogio) coloca sua cabeça entre as pernas do candidato Geraldo Alkmim e o suspende sobre seus ombros. É estrarrecedor tamanho servilhismo humilhante. Se fosse meu pai nunca mais olharia em sua cara. Se fosse meu filho o desardaria. Carregar um político nas costas !!! Homem sem moral, sem amor próprio, servil, ralé, etc, etc. Fiquei indignado com aquele idiota que sequer conheço e jamais queria conhecê-lo. PS: Mereçe meu desprezo qualquer pessoa que carregue um político nas costas, seja o político de que partido for.

13 junho 2006

ONTEM E HOJE




São interessantes as mudanças que ocorrem nas cidades. São tão sutis que sequer as percebemos. Vejam esses três exemplos de como era ontem e hoje a esquina da Av. São Paulo com Rua São Bento na cidade de Araraquara.

30 maio 2006

A SOLIDÃO DOÍDA



Neste sábado, dia 27 de maio de 2006, fui escalado para participar de uma reunião do Orçamento Participativo no Assentamento dos Trabalhadores Rurais chamado Monte Alegre. Embora já tenha ido lá algumas vezes, ainda consigo me perder pelo meio do mato ou do canavial. Neste dia não foi diferente, enfie-me por caminhos poeirentos que mais pareciam um labirinto. Chagando na escola onde haveria a reunião, após um refrescante copo d'água, a única coisa que pensei foi tirar uma foto. A caixa d'Água pareceu-me ideal, principalmente à contra-luz. O resultado é esse aí do lado. Na volta, com o sol se pondo no horizonte, fotografei uma árvore solitária no meio do canavial. A tarde estava seca, o ar parado, os pássaros se recolhendo, uma solidão de doer.

25 maio 2006

A OCASIÃO FAZ O LADRÃO ???

Já passavam das 23:30 horas. Última volta do ônibus coletivo no bairro. Num lugar ermo, um rapaz dá sinal ao motorista para parar. Está acompanhado de uma mulher com uma criança no colo. Ele sobe primeiro no ônibus. A mulher o segue. Ambos aparentando mais ou menos 25 anos de idade. Cabelos em desalinho, mal vestidos, rostos de gente sofrida. A criança no colo resmunga, dando a impressão de ser fome. Ela senta-se num banco do fundo do ônibus. Ele ao lado do cobrador. Na medida que o ônibus vai a caminho do bairro, as poucas pessoas a bordo vão descendo, até ficar apenas o cobrador, o motorista e o casal. O rapaz parecia nervoso. Olhava constantemente para a mulher. A criança no colo começa a chorar. Quando o ônibus passou num lugar escuro, o rapaz levantou-se, sacou uma faca velha da cintura e anunciou o assalto. O cobrador, apavorado, correu para junto do motorista, que ordenou que ele entregasse o dinheiro ao ladrão. O ladrão apanhou o dinheiro e alguns passes, desceu rápido do ônibus, saltou um muro e se perdeu no mato. Como de praxe, o motorista acionou a polícia via rádio. Como a polícia estava pelas imediações, em poucos minutos chegava no local fazendo barulho. Apontada a rota de fuga, lá foram eles. Saltaram o muro a tempo de encontrar um rapaz suspeito. Ele negava a autoria do roubo. Bateram revista e não acharam nada em posse do rapaz. Procuraram nas proximidades do rapaz e encontraram um saco plástico com pouco mais de cinquenta reais, alguns passes e uma faca. Pronto, instalou-se ali no meio do mato um tribunal, onde os policiais seriam as testemunhas, advogados e juízes. A sentença veio rápida. O meliante (como eles gostam de chamar) deveria ser educado a não mais assaltar ônibus. O castigo seria uma surra no mesmo local do flagrante. O primeiro chute foi no estômago, o segundo no rosto, o terceiro nas costas, e outro, mais outros. Fizeram-no saltar o muro de volta. Passou algemado ao lado do ônibus. Tentou encarar a mulher e o menino mais uma vez. Seus olhos inchados de tanto apanhar talvez tenha impedido a visão. Foi jogado dentro do camburão. A criança no colo da mãe chora alto a espera da comida que não virá tão cedo.

11 maio 2006

ATÉ BREVE VALDIZAR


Este é o Valdizar. Só quem o conheceu sabe o valor humano dele. Começou ainda jovem na política, início da década de 60. Estava na antiga União Soviética quando houve o golpe militar no Brasil. Teve que voltar escondido pela França e Argentina. Ele tinha 19 anos. Foi caçado pela polícia política e preso. Passou por torturas nos porões do presídio Tiradentes, Rio de Janeiro. Viu vários amigos e amigas serem mortas ali dentro. Hoje tem dificuldade na audição de tanto que apanhou nos ouvidos, uma tortura intitulada de "telefone". Ele e sua esposa ficaram presos mais de 2 anos. Ambos intelectuais, inteligentíssimos, humildes de causar até constrangimento nas pessoas. Estão se mudando de Araraquara. Fui na despedida deles, nos abraçamos e choramos. Valdizar é o tipo de amigo que eu tenho orgulho de dizer que o conheço, e que vou continuar encontrando aonde forem.