Um jovem empresário, presidente de uma S.A. herdada do seu pai, levanta-se muito cedo para preparar a papelada para a Assembléia de acionista que começará às 10 horas. Ainda na rua seu celular toca várias vezes. São pessoas que o atormentam com interesses pessoais. Ele vai ficando irritado com os telefonemas, não só porque ele está ao volante do carro, mas também pelo fato de serem assuntos irritantes. Ele chega na empresa e há muitas outras ligações. Só consegue paz quando chega sua secretária que passa a atender os telefonemas. Nesse momento ele vai até a janela do escritório e "viaja" para este local aí da foto, que servirá de locação para um filme de média metragem que será (espero) rodado no mês de outubro deste ano. Aproveito também para apresentar a todos o simpático senhor Nemo, dono do local que nos recebeu com muito carinho num perdido distrito de Curupá, SP.
05 agosto 2007
VIAGEM
Um jovem empresário, presidente de uma S.A. herdada do seu pai, levanta-se muito cedo para preparar a papelada para a Assembléia de acionista que começará às 10 horas. Ainda na rua seu celular toca várias vezes. São pessoas que o atormentam com interesses pessoais. Ele vai ficando irritado com os telefonemas, não só porque ele está ao volante do carro, mas também pelo fato de serem assuntos irritantes. Ele chega na empresa e há muitas outras ligações. Só consegue paz quando chega sua secretária que passa a atender os telefonemas. Nesse momento ele vai até a janela do escritório e "viaja" para este local aí da foto, que servirá de locação para um filme de média metragem que será (espero) rodado no mês de outubro deste ano. Aproveito também para apresentar a todos o simpático senhor Nemo, dono do local que nos recebeu com muito carinho num perdido distrito de Curupá, SP.
O VELHO E A ESPERANÇA
O velho de cabelos grisalhos e mal cuidados entrou na casa lotéria. Suas mãos estavam trêmulas, as unhas estavam sujas de terra. Vestia uma camisa toda listrada em branco e azul, bem surrada, com pequenos rasgos sob os braços. A calça marrom também demonstrava muito tempo de uso. Seus sapatos que um dia foram pretos, estavam com o couro ressecado e sem o cadarço, embora aquele modelo exigia esse apetrecho. Tirou do bolso da camisa uma tira de papel onde constava alguns números e passou a conferí-los com dificuldade numa grande folha pendurada na parede. Precisava encostar seu rosto o mais próximo possível da folha de resultado, tamanha a dificuldade de enxergar. Lentamente ele olhava para sua tirinha de papel e para a lista da parede. Número por número, impacientando os mais jovens da fila que aguardavam sua vez. Terminada a conferência, abaixou a tira de papel, ficou cabixbaixo, falou alguma coisa inaudível, caminhou lentamente para a porta. Desceu os dois degraus, jogou na sarjeta a rara esperança de um dia se alimentar melhor.
TROCARIA TUDO POR UM AMIGO(A)
Amigos ou amigas não existem. O que todos nós temos são colegas, amizades. Se você ficar ausente algum tempo, nem telefonema receberá, pode crer. Se a amizade for um pouco mais íntima, esse tempo vai um pouco além, mas acaba rapidinho. Se aparecer dinheiro entre dois colegas então é inimizade na certa. Sabe como encarar essa realidade ? É só saber que a vida é assim. Se você souber que a vida e o relacionamento entre pessoas é assim, não sofrerá no rompimento por uma coisa que sabia que poderia acontecer.
NÃO HÁ NADA DE NOVO SOB O SOL
Acabo de assistir uma maratona de 8 DVD´s sobre a história de ROMA. O que me levou a essas longas horas diante do vídeo foi um comentário de um historiador que achou a série filmada uma das mais fiés. Sempre fui curioso sobre o que se passou no período romano de mais de 2000 anos atrás. Para quem acha que corrupção, traição, prostituição, incesto, intrigas, roubos, assassinatos, etc, é coisa de agora, deve assistir ROMA. O homem, genericamente falando, quando chega ao poder fica louco, insensível, violento, sem honra, ética, vergonha, etc, etc. Uma das poucas coisas que avançou para melhor daquele período para nosso foi a expansão do conhecimento em algumas áreas científicas, o homem continua o mesmo. Isto até parece proposital, pois tenho a impressão que de vez em quando precisamos de um ditador louco para causar guerras e diminuir a explosão demográfica matando muita gente. Se não houvesse duas guerras mundiais, quantas almas teria a terra hoje, dá para saber ? Credo, que tema que escolhi, não ?
19 julho 2007
AVIÕES E AFINS

Desde há muito tempo nutro uma paixão por aviões. Sempre achei e continuo achando que é o meio de transporte mais rápido e mais seguro que existe. São mais de um milhão de decolagens e aterrisagem por dia no mundo todo, entretanto, os acidentes com vítimas são raros, via de regra por falha humana. Façam uma comparação. Quantas pessoas morreram em acidentes nas rodovias no último feriado de carnaval, ou outro feriado prolongado qualquer. Você vai se surpreender. No mundo todo morre mais pessoas nas rodovias do que em acidentes com aviões. Agora, decolar ou aterrisr em Congonhas é outra história. É adrenalina pura. Lembro-me de algumas vezes que eu ficava olhando pela janela do avião na cabeceira da pista. Sobe o giro dos motores e lá vamos nós grudados na poltrona pela força do empuxo. O prédio ao lado passa rápido; em segundos o barulho do pneu em contato com a pista some; começa a aparecer os telhados dos prédios. No horizonte a cidade parece não ter limites e os passageiros estão numa posição de mais ou menos 45º!!! Corre um friozinho na barriga, com certeza. Toda vez que vou na casa da minha irmã Maria em Sampa, chego até a sacada da casa dela ali no Bairro Jabaquara e fico apreciando o intenso tráfego aéreo do Aeroporto de Congonhas. Se estou com minha máquina fotográfica, tiro algumas fotos como esta que estou publicando aqui. O avião da foto está numa altura aproximada de 200/250 metros e a torre mede no máximo 60 metros. O efeito que a foto trouxe é uma ilusão de ótica, pois ela está mais próxima do fotógrafo. Sobre o recente acidente do avião Airbus da TAM podem anotar, foi uma sucessão de erros, esperemos para saber o que está registrado na caixa preta.
15 julho 2007
VI NUM DOMINGO E FOTOGRAFEI



Domingo de clima extremamente seco saí para fotografar qualquer coisa interessante que visse pelo caminho. Vi a velha Estação Ferroviária construida em 1921, toda destruída e abandonada. Vi o trem passando ao lado dessa obra histórica do nosso passado. Vi o caminhão levantando poeira no meio do canavial. Vi também a usina que fabrica açúcar e álcool. Registrei tudo, um dia quem sabe servirá para alguma coisa.
DIRETO DO MOVIMENTO DOS SEM TERRA
NOVAS REUNIÕES DO OP

Fui para mais uma rodada da reunião do Orçamento Participativo. Desta vez estava em votação o pedido da comunidade periférica para que a Prefeitura instalasse no bairro um Portal do Saber, já existente em vários bairros. O Portal do Saber é o local onde se localiza vários computadores ligados à rede mundial (internet) onde os cidadãos de todas as idades fazem uso dessa moderna tecnologia. Valia até conversa no pé do ouvido. Gente simples mas sábia.
30 junho 2007
O FIM DO MUNDO
O garotinho não conseguiu dormir à noite. Teve vários pesadelos com o fim do mundo. Naquele mês de julho o boato de que o mundo iria acabar era muito forte. Na cabeça do menino era um terror. Haveria, diziam, um primeiro sinal, depois a catástrofe. Levantou-se e foi até o portão ver quem o chamava. Em frente à sua casa vários amigos da escola, todos munidos de vara de pescar e iscas para peixe. Porque não?, pensou, afinal serviria para distrair. Rapidamente apanhou uma vara de pescar e um pouco de miolo de pão, ganhando a rua sob os impropérios da irmã mais velha que estava encarregada de pageá-lo. Venceram aproximadamente três quilômetros até o local da pesca. Quando o menino se preparava para atirar a isca na água, olhou para o céu e viu um minúsculo objeto brilhante e atrás dele um enorme risco que ia crescendo. O menino ficou gelado. ERA O SINAL DO FIM DO MUNDO. Deixou tudo na margem do rio e passou a correr alucinadamente. Na sua cabeça apenas um desejo. Queria estar ao lado da irmã quando o mundo acabasse. Venceu a distância em poucos minutos. Encontrou a irmã varrendo o quintal. Não conseguia falar nada, tamanho o cansaço. Quando conseguiu, apenas disse apontando para o céu "o sinal do fim do mundo". A irmã viu o rastro de fumaça se desfazendo no céu. Ela abaixou a cabeça, esfregou as mãos e disse "vai brincar, não é nada". O menino se afastou e ela ficou ali, cabixbaixa, pensando o que fazer do pouco de vida que ainda restava.
ORÇAMENTO PARTICIPATIVO
Desde o ano de 2001 a cidade de Araraquara pauta seu orçamento segundo os desejos dos cidadãos que escolhem o que querem para o bairro onde vivem. Esse metodo é conhecido como Orçamento Participativo. Reúnem-se, votam e a Prefeitura faz. No primeiro ano as pessoas viam com suspeitas, como se fosse mais uma novidade passageira. Passados quase sete anos, as reuniões são sempre congestionadas de gente. Há discussões ásperas, votações e no fim tudo termina em paz. As demandas começam a escassear. Postos de saúde foram construídos, asfalto foram feitos, canalização, escolas, creches, etc. Nesta última reunião que fotografei, as pessoas ouviram o Prefeito explicando, os cidadãos defendendo seus desejos e as demais pessoas prestando muita atenção. No final venceu a proposta de asfaltar algumas ruas num bairro distante do centro. Curtam as fotos.
18 junho 2007
ESTAMOS VIVENDO UM PORRE DE ATIVIDADES CULTURAIS
Mal terminou a Virada Cultural Paulista, começou aqui em Araraquara a XIX Semana Luiz Antônio Martinez Corrêa. Teatro, Música, Contação de História, cinema, etc. Um porre cultural, só não participa quem não quer. Tem show para todos os gostos e em todos horários, inclusive à meia noite com a já consagrada sessão maldita. Nas fotos a Marcela e o Luciano na peça “Apaga a Luz e faz de Conta que Estamos Bêbados” – Grupo Olhos D’arte, no Teatro Municipal.
17 junho 2007
ESTÓRIAS DO JOAQUIM, MEU PAI
Era tarde de domingo numa estação de outono. Dia claro e seco. Sol forte. Os moços descansavam sob a mangueira após a partida de futebol. O patrão fazendeiro, como sempre fazia, estava ali para assistir a partida. Na estrada de terra batida ao longe vinha aproximando a figura de um homem. Ao chegar bem perto percebeu-se tratar de um homem negro, aproximadamente 40 anos, roupa batida, chapéu largo na cabeça, barba de semanas, sapatões velhos nos pés e um pacote grande sob o braço esquerdo. Aproximou-se do primeiro moço e perguntou pelo patrão. Com a resposta foi até um senhor de cabelos grisalhos, bigodes largos, sentado junto com outras pessoas. Cumprimentou-o e foi direto ao assunto. Queria trabalhar na fazenda. Naquela época todos que trabalhavam na fazenda moravam ali, inclusive o fazendeiro. O fazendeiro coçou acabeça, pensou um pouco e disse que não havia casa para ele morar. O homem não se abalou com a resposta. Propôs construir sua casa com madeira que ele cortaria. O fazendeiro pensou mais um pouco e propôs um trato. O homem deveria construir a casa com o tipo de madeira que ele indicasse e, após a casa pronta, era proibido substituir madeira ou reformar o imóvel. Assim que a casa caísse ele deveria deixar a fazenda. Uma vez aceito o trato, quando o fazendeiro falou que tipo de madeira era para utilizar na construção, o negro olhou para o céu, procurou a lua e prometeu voltar dentro de alguns dias para começar o trabalho. Todos sabiam que aquele tipo de madeira indicado pelo fazendeiro era muito frágil e apodrecia rapidamente. Todos ali tinham certeza que a casa não passaria de um ano em pé. Depois de alguns dias o homem negro voltou e passou a trabalhar de sol a sol. Menos de um mês a casa estava de pé e pronta para receber o morador. O homem negro só saiu dali depois de 10 anos porque arrumou outro lugar para se acomodar. Deixou a casa ainda em boas condições para receber outros moradores. O segredo estava na lua.
POESIA
A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as
insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.
MANOEL DE BARROS
Tratado geral das grandezas do ínfimo
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as
insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.
MANOEL DE BARROS
Tratado geral das grandezas do ínfimo
10 junho 2007
A VELHA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

Ela é do século XIX. O prédio desde então não sofreu nenhuma modificação. Com a falência das ferrovias deste sofrido país, esta Estação começa a dar sinais de abandono e deterioração. O relógio há muito tempo não marca as horas. A placa abaixo do relório marca os quilômetros (253,8 km) que separam Araraquara da Capital e a altitude (646 m) da cidade em relação ao nível do mar. Só espero que alguém com poder acorde para o risco que corre este lindo prédio.
O MUSEU E SEUS DETALHES
HISTÓRIAS EM CONSTRUÇÃO


Todas as cidades com mais de cem anos possuem casas históricas. Isto é, até não aparecer um idiota com o discurso de modernismo e pôr abaixo um imóvel que conta parte da história de uma cidade. Neste domingo passeando com minha câmera pelo centro da cidade de Araraquara onde moro, visitei a velha casa que um dia foi o Conservatório Musical do famoso Maestro Tescari. A casa foi tombada pelo Patrimônio Histórico, mas está ruindo, e não há uma santa alma que apareça para salvá-la.
07 junho 2007
AGORA ELE VOA

Saindo da construção onde trabalhava, o garoto parava na porta da Escola de Dança (de música clássica e contenporânea) e ficava olhando. Como esta atitude vinha se repetindo, a Diretora da escola resolveu perguntar se ele sabia dançar aquelas músicas que estavam tocando. Não, não sabia, mas disse entusiamado que gostaria de aprender. Ela então pediu a ele para trazer um short para participar das aulas. Não precisaria pagar pelas aulas. Foi assim que começou. Hoje mal consegui focá-lo no palco do Teatro Municipal da cidade quando voava ao som da música.

Na foto o aluno e a professora que acreditou nele, ambos numa apresentação no palco do Teatro Municipal de Araraquara.
27 maio 2007
MUITO PRAZER, EU SOU A LENTE DE 300 mm
Finalmente consegui comprar uma lente Canon de 300 mm (75-300mm(. É esta aí da foto. Assim que recebi o aviso do correio fui buscá-la, sem esquecer de levar a máquina comigo (parece criança, não?). Peguei a lente e volteir para o carro. Abri a embalagem e lá estava ela !! Encaxei-a na máquina e voltei para o trabalho. No caminho da volta, ao passar por uma praça lá estava a primeira vítima, quero dizer, minha primeira oportunidade de testá-la. Um homem sentado num banco da praça ao sol, dormindo. Estava muito frio neste dia. Para ampliar clique sobre a foto. Os testes com o novo brinquedo continua nas fotos que se seguem abaixo. Uau, que alegria.
TESTES COM A LENTE CANON DE 300mm

Marco que sinaliza o Centro Geográfico do Estado de São Paulo.

O Picapau do peito amarelo não gostou de ser fotografado, mas mesmo irritado não arredou os pés, ops, as asas.

A acidez cítrica ao alcance da mão num dia frio e chuvoso.

A Romã pode ser uma fruta sem graça, mas convenhamos ela ficou bem na foto, não ?
24 maio 2007
FOI ASSIM .....
Madrugada fria. Acordo assustado. O silêncio vez ou outra era quebrado por barulhos estranhos que parecia alguém forçando a porta. Barulho no quintal. Uma locomotiva apita longe me fazendo lembrar do tempo de infância quando ia aos finais de semana até a Estação Ferroviária ver o trem passar. Uma coruja pia forte sobre o telhado. Devia estar sentada na antena de televisão. Penso em pessoas vivas ou mortas das quais eu não gostava ou não gosto. Procuro pensar nas pessoas agradáveis e elas se recusam entrar na minha mente. Os demônios estavam soltos e só fugiram com os primeiros raios de sol, trazidos presos nos bicos cantantes e alegres dos bem-te-vis.
TELEVISÃO TAMBÉM É CULTURA
Dias desses assistindo o Jornal da Cultura às 22:00 horas com a jornalista Salete Lemos, ela estava conversando alguns assuntos econômicos com o Jornalista Luís Nassif quando, no meio da conversa, ela disse ao jornalista "eu sou testemunha viva disso". E ele sem deixar a bola cair respondeu rindo mais ou menos assim "é, não poderia ser testemunha morta !!!" huahuahuahua. Ela quase caiu da cadeira.
20 maio 2007
01 maio 2007
PASSEIO, NOSTALGIA, SAUDADE





Véspera de feriado (dia do trabalho, huahuahua), saí com minha máquina fotográfica para fazer um passeio no meu passado aqui na cidade. O túnel sob a Estação Ferroviária, o primeiro lugar onde atravessei com minha grande família ao mudarmos para Araraquara. Dormimos três noites no chão porque nossa mudança veio de trem e houve a necessidade de aguardar espaço nos vagões. A velha fábrica que trazia esperança de trabalho para uma família tão numerosa. O mercadão, meu primeiro local de trabalho, aos 11 anos de idade. Primeiro numa lojinha de sapatos e depois numa mercearia. A passarela que levava até a Rodoviária central. Eu, ainda menino, vibrava quando via os velhos ônibus da Cometa entrando nesse espaço. Finalmente o viaduto que liga a Vila Xavier ao centro da cidade. Meu caminho obrigatório para ir ao trabalho durante longos anos sob sol ou chuva a pé. Conheço cada pilar desse viaduto, também pudera cruzava-o 4 vezes ao dia!
O MEDO DO FUTUTO CALOU A VONTADE DO PRESENTE

Na chamada “sexta-feira santa” quando os católicos fazem vigília em lembrança da crucificação e morte de Jesus Cristo, estava eu caminhando entre as gôndolas de um supermercado quando vi uma garrafa de água importada da França a famosa Perrier. Fiquei com água na boca. Preço pelos 750 mls: R$ 7,00 !!! Achei muito caro e segui em frente. Lá no fundo vejo uma multidão comprando peixes. Neste momento lembrei-me de meu falecido pai por vários motivos. Ele gostava de peixes. Vivia queixando-se de desejos de comer comidas diferentes e caras, além de viagem que nunca se realizavam pela falta de dinheiro. Quando conseguiu algum dinheiro guardou-o, preocupado com o futuro. Morreu numa sexta-feira santa, deixando o pouco do dinheiro que guardou para os filhos. Pensei novamente no velho Joaquim e voltei resoluto para a garrafa de água Perrier e a trouxe para casa. Coloquei-a na geladeira e depois tomei cerimoniosamente numa linda taça de cristal.
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