30 outubro 2010

ENCONTREI POR AQUI

Encontrei aqui em Araraquara um autêntico artista da arte Näif. Arte Näif, como sabem, é aquela que um determinado artista a produz sem nunca ter frequentado escola de artes ou qualquer curso superior. É a arte que nasce da sensibilidade do autor quase que naturalmente. O artista abaixo já fez algumas exposições importantes no metrô da Sé, República, em Araraquara e Santo André. Ele só trabalha com raízes de árvores. O nome dele também é de artista, ele se chama "LOUDIER". Vejam os exemplos abaixo.

23 agosto 2010

UM LUGAR QUE FOI DE TERROR

ANTIGO PRÉDIO DO DOPS (Departamento da Ordem Política e Social)
Desde a reforma desse prédio eu nutria uma vontade enorme de visitá-lo. Uma vez cheguei ali em frente e não tive coragem de entrar. Naquele dia eu estava muito tenso então para não aumentar a tensão fui embora, até porque estavam exibindo uma peça de teatro no lugar onde foram as celas dos presos. Evitei. Voltando lá enfrentei a angústia e entrei. Comecei a fazer um passeio pelas suas dependências. Sem que eu percebesse me surpreendi chorando.

MINHA VIDA É ANDAR E FOTOGRAFAR

Antiga Estação Ferroviária de Américo Brasiliense
Antiga Estação Ferroviária de Santa Lúcia
Estação da Luz - São Paulo - Capital

Estação Julio Prestes - São Paulo - Capital
Páteo do Colégio - São Paulo - Capital

Vitral na Igreja Matriz de Santa Adélia, onde há muuuuiito tempo fui batizado

Igreja Matriz de Santa Adélia

21 abril 2010

UMA LEITURA PUXA A OUTRA


Lembro-me que fiquei muto emocionado ao ler Os Sertões, do Euclides da Cunha. Aquela história não me saía da cabeça, até que um dia resolvi visitar Canudos na Bahia, local onde se deu a guerra. Foi uma viagem terrível, mal planejada. Fomos de carro saindo de Pintadas, passamos por Queimadas, Monte Santo e Canudos. Voltamos por Euclides da Cunha. Passado algum tempo comecei procurar outros livros sobre a guerra de Canudos e seus personagens. Encontrei "CANUDOS - Cartas para o Barão", da professora Consuelo Novais Sampaio, depois encontrei num sebo "No Calor da Hora", da professora Walnice Nogueira Galvão, aí consegui também num sebo "Antonio Conselheiro", de Nertan Macedo, encontrei depois, ainda num sebo, "Antonio Conselheiro e Canudos", de Ataliba Nogueira, e mais três encontrados num sebo "Memorial de Vilanova", de Nertan Macedo, "Capitão Jagunço", de Paulo Dantas e "O Episódio de Canudos", de Euclids da Cunha. Finalmente "O Império de Belo Monte - Vida e morte de Canudos", da professora Walnice Nogueira Galvão, Editora Fundação Perseu Abramo. Estou anciosamente aguardando um último que encontrei num sebo da Bahia "No Tempo de Antonio Conselheiro - Figuras e Fatos da Campanha de Canudos", de José Calazans.

Todos os livros encontrados em sebo estão com suas edições esgotadas, sendo alguns tratados como raridade, daí que o preço é muito alto.

Ler sobre Canudos através destes autores é uma deliciosa viagem no tempo. É conhecer um pedaço da nossa história recente que teima em ficar escondida. Quando se começa a ler qualquer um deles é difícil parar, impressionante. Mas não adianta falar, precisa ler para sentir e tentar entender como o exército brasileiro demorou um ano para derrotar uma cidade que sequer possuía armas. E Antonio Conselheiro, o verdadeiro, quem conhece? Só mesmo lendo estes livros, que, aliás, não são os únicos. A foto anexada é para quem quiser conhecer as capas dos livros citados.

06 abril 2010

TUDO DEZ

Diz a propaganda política do Governador Serra, na voz de um alienado: O ENSINO É DEZ, O PROFESSOR É DEZ, A ESCOLA É DEZ. Pergunto então. Se tudo isso é dez, porque os netos do José Serra, dos seus Secretários, inclusive do Secretário da Educação não estudam nessas escolas dez???? Caso alguém tenha uma resposta inteligente, diga para mim, por favor. (semana que vem, vou publicar uma foto de uma escola estadual nota dez, aguardem)

04 abril 2010

PÃO E CIRCO


É de longa data o costume dos dirigentes, sejam eles Imperadores, Reis, Prefeitos, Governadores de Estado ou Presidente da República, distrairem o povo com pão e circo. Em Araraquara foi construído um estádio de futebol moderníssimo, com mais d 25.000 lugares, com cadeiras individuais, banheiros, cobertura, etc, embora o time da ferroviária esteja disputando a série A3. O campo é melhor em estrutura que qualquer outro no Brasil, só perdendo para o Estádio que foi construído no Rio de Janeiro para atender os jogos Pan Americanos. O custo total, que nunca se sabe ao certo, passou de 27 milhões. Daria muito bem para reformar e construir creches, escolas, melhorar substanciamente o ensino, enfim, quanta coisa boa poderia ser feita com esse dinheiro. Mas......

COISAS











GRAFITES








03 março 2010

FOTOGRAFE

Fotografe sua cidade, divulgue-a, preserve a história. Nestes tempos de internet, tudo que você fotografar e guardar na rede, será preservado para o futuro. Veja como exemplo esta foto que fiz do centro de Araraquara num ângulo novo e a uma distância de mais de 2 km. Gostei da foto.

NO LUGAR CERTO E NO MONENTO CERTO


Na caminhada domingueira, sempre acompanhado com a máquina fotográfica, parei ao lado de um pé de paineira florido. Estava me preparando para fotografar esta flor aí acima quando sentou um pássaro logo atrás. Fotografei rápido sem saber como sairia a foto. Num segundo ele já havia desaparecido. Ao descarregar a foto no computador a surpresa, trata-se de uma fêmea de tsiu. Não existe foto desse pássaro, pois ele não pára e é muito rápido. Foi um momento único e de pura sorte. Se clicar sobre a foto vai vêr-la grande muito bonita.

29 janeiro 2010

REUNIÃO DE FAMÍLIA




Na caminhada domicical tive a oportunidade de fotografar a família da coruja buraqueira. A primeira foto é de um filhote. Na segunda foto a família está reunida, sendo as duas aves do centro os pais. Como eu sei disso? Simples, como é a tarefa deles cavocar para fazer o ninho, percebam os pés de quem está muito mais sujo de terra. Os pés dos filhotes estão um pouco sujos porque, afinal, tem que começar a aprender como fazer buracos.


A MESMA CENA, DOIS OLHARES


Ir de novo atravessar caminhos ladrilhados da ossaria dos nossos soldados, sentir debaixo das patas do animal que me levasse, o estalo seco dos ossos partidos, ver ainda de braços abertos, como que crucificado no chão, o cadáver seco daquele cabo negro que tanto me impressionou e que tem os pés tão perto do leito da estrada que a gente volta o cavalo ao flanco para não pisá-lo?! Que riso branco e grande o dele! Aquela boca horrivelmente escancarada, lá estará com a alvíssima dentadura escarnada a gargalhar aos viajantes.
Por que tanto me impressionou o arcabouço seco e mumificado daquele preto? Seria por causa do talho atroz que tinha na fronte até o alto da cabeça aberta, mostrando o crânio fraturado?
Talvez seja este um motivo; o outro é, porém, mais notável. É o fim da história de quem não teve princípio na história.
(....)
Como é simples e sublime a história deste cabo preto de quem eu não queria mais ver o cadáver a rir pra os transeuntes no meio do caminho?!
E era tão fácil eu deixar de vê-lo outra vez ... Fácil, sim, mas nesta facilidade é que está toda a dificuldade.
(No Calor da Hora – A Guerra de Canudos nos Jornais – 4ª Expedição – Walnice Nogueira Galvão – São Paulo – Ed. 1974 – Ed. Ática – págs. 320/321 (texto do JORNAL DO COMÉRCIO, edição de 19/08/1897 – Correspondente Capitão Manuel Benício)

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Ao lado uma árvore única, uma quixabeira alta, sobranceando a vegetação franzina.
O sol poente desatava, longa, sua sombra pelo chão e protegido por ela – braços largamente abertos, face volvida para os céus – um soldado descansava.
Descansava... havia três meses.
Morrera no assalto de 18 de julho. A coronha da Mannlicher estrondada, o cinturão e o boné jogados de uma banda, e a farda em tiras, diziam que sucumbira em luta corpo a corpo com adversário possante. Caíra, certo, derreando-se à violenta pancada que lhe sulcara a fronte, manchada de uma escara preta. E ao enterrar-se, dias depois, os mortos, não fora percebido. Não compartira, por isto, a vala comum de menos de um côvado de fundo em que eram jogados, formando pela última vez juntos, os companheiros abatidos na batalha. O destino que o removera do lar desprotegido fizera-lhe afinal uma concessão: livrara-o da promiscuidade lúgubre de um fosso repugnante; e deixara-o ali há três meses – braços largamente abertos, rosto voltado para os céus, para os sóis ardentes, para os luares claros, para as estrelas fulgurantes,,,
E estava intacto. Murchara apenas. Mumificara conservando os traços fisionômicos, de modo a incutir a ilusão exata de um lutador cansado, retemperando-se em tranqüilo sono, à sombra daquela árvore benfazeja. Nem um verme – o mais vulgar dos trágicos analistas da matéria – lhe maculara os tecidos. Volvia ai turbilhão da vida sem decomposição repugnante, numa exaustão imperceptível. Era um aparelho revelando de modo absoluta, mas sugestivo, a secura extrema dos ares. (Os Sertões – Euclydes da Cunha, Ed. Publifolha, 2000, pág. 30)
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Gostaria de publicar junto a estes dois textos, um poema do Haroldo de Campos falando sobre esta cena. Ficou lindo, mas infelizmente não anotei onde ele está. Se encontrar voltou aqui e edito.

12 janeiro 2010

O ÚLTIMO JANTAR EM PAZ

O pai chegou mais cedo do trabalho naquele dia. Normalmente ficava no bar após o expediente de trabalho. Duas filhas e um filho estavam no portão quando ele virou a esquina, trazendo com esforço aquele corpanzil de 120 quilos. As meninas assustadas foram para dentro da casa, saindo do caminho. O menino apenas saiu da frente do portão. Ficou ali do lado imaginando o que poderia acontecer. O pai aproximou, estava todo molhado de suor. Olhou para o filho e não disse nada, apenas levantou a mão esquerda e acariciou a cabeça do menino. Desceu o braço gordo na direção do ombro do filho e entraram na casa, abraçados. Depositou a mochila com a marmita vazia sobre o velho sofá da sala. Olhou as meninas sentadas na cama e apenas sorriu timidamente para elas. Foi até a cozinha, destampou as panelas sentindo o cheiro da comida recém preparada. Pegou uma toalha de banho e uma troca de roupa e foi para o banheiro, onde tomou um banho demorado. Passou pelo filho exalando cheiro de sabonete barato. Enquanto estendia a toalha de banho molhada, determinou que todos sentassem à mesa para o jantar. Talvez tenha sido a primeira e única vez que sentaram-se todos num mesmo horário para a refeição. O filho teve a clara impressão de que o pai chorava em silêncio enquanto comia aquela comida simples de um operário. Não há na memória do menino a lembrança de um outro dia de paz naquela casa.

05 janeiro 2010

DEPOIS DO TEMPORAL

Sem exagero, eu transpirava de tanto calor que fazia na praça João Mendes, logo atrás da Praça da Sé, às 14:30 hs. Em menos de uma hora o tempo fechou, caía raios e explodiam trovões que faziam o chão tremer. Nunca vi coisa igual. Ainda chovia forte quando fui para a estação do Metrô Sé e veja o que encontro lá dentro, o trem da norte/sul estava parado e tudo virou um caos como se vê na foto.

DA JANELA DO 5º ANDAR

Estava eu no quinto andar do antigo prédio do 1º Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo, em frente ao Pátio do Colégio quando ao olhar pela janela vi a estátua da foto, a mais ou menos 40 metros do chão. A janela formou uma moldura. Gostei dessa foto. Ah, sim, esta estátua está sobre um pilar com várias esculturas na parte mais baixa. Fica na praça em frente ao Pátio do Colegio.

O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Talvez um dos prédios mais bem conservados de São Paulo seja o do Tribunal de Justiça, que sistematicamente passa por reformas. A arquitetura dele é linda, repletos de obras de arte, como exemplo estas que publico.


03 janeiro 2010

E A IGREJA CAIU!!!!


No dia 27 de dezembro visitei São Luiz do Paraitinga. Fiz várias fotos da cidade, inclusive da Matriz que ainda não havia publicado aqui. Quando fomos na igreja Matriz, ela estava fechada. Uma pesada e antiquissima porta de madeira chamava a nossa atenção. Vi algumas trincas na parede e fiz um comentário no sentido de que se ninguém reparasse aquilo, a igreja poderia, num futuro próximo, ruir. No dia 30 de dezembro ela veio abaixo pela enchente do rio. Fiquei chocado. Era um prédio de mais de 100 anos!! Veja na foto a igreja como era.

30 dezembro 2009

SÃO LUIZ DO PARAITINGA

CASA ONDE NASCEU OSVALDO CRUZ
CAPELA DE Nª Sª DAS MERCÊS

CASARÕES

MERCADO MUNICIPAL

Paraitinga como é conhecida, é a Paraty sem mar dos Paulistas. Cidade serrana, que fica no topo da Serra do Mar. Esta cidade do tempo do Brasil Colônia, servia de entreposto de mercadorias que seguiam para a Europa, principalmente o café, o açúcar e o ouro. Essas mercadorias desciam a serra para Ubatuba e Paraty de onde eram embarcadas. Os moradores de Paraitinga é muito acolhedor, simples, o chamado "caipira" no melhor sentido. Suas ruas são limpas. Há bons lugares para refeições a preço baixo. Os casarões foram preservados com suas cores típicas, inclusive a casa onde nasceu Osvaldo Cruz. Só as ruas tiveram a alteração do calçamento de pedra para o convencional dos dias de hoje, mesmo assim em cimento e não asfalto. Algumas ruas (becos) foram preservadas com as pedras originais (veja em frente a Capela). A Capelinha de N. S. das Mercês foi construída pelos escravos (sempre eles) a mando da senhoria que havia sonhado com a santa (a senhoria sonha e os escravos trabalham). Um aviso, se pretender ir de Ubatuba para Paraitinga tome cuidado, pois a pista é perigosa, com muitas curvas acentuadas e de Ubatuba a Paraitinga é toda em aclive que, em alguns trechos, só se consegue subir em primeira marcha!!

PARATY


Sempre pensei em visitar Paraty e nunca sobrava oportunidade. Neste fim de ano, sem muito planejar lá fui eu. Já que estava ali perto em Ubatuba, porque não? Paraty é uma cidade portuária da é poca do Império. Servia de ponto de partida do ouro que vinha de Minas Gerais e São Paulo, de onde saía ouro e café. O casario de Paraty foi em grande parte preservado, inclusive com suas cores alegres. O calçamento do centro velho também está intacto. Gostei muito de Paraty. Clique nas fotos para ampliá-las.

UBATUBA BLUES


Há muito tempo eu não visitava Ubatuba. Na última vez que estive lá a praia do Tenório só era acessada através da mata e por trilhas estreitas. Era proibido construir ali. Havia um único quiosque para venda de bebidas e guloseimas. A preservação da praia era rigorosa. Agora virou uma bagunça. Invadiram a praia com várias mansões, impediram o acesso à praia com muros, que só foram abertos caminhos entre os muros através de medida judicial. Encheram de quiosques e vendedores ambulantes. Nenhum quiosque possui sanitários, o que significa que os banhistas fazem suas necessidades na mata ao lado ou dentro d´água. Uma nojeira só. A cidade de Ubatuba é suja, sua praia principal, a Itaguá, está muito suja e a água está poluída e. por isso, interditada. O que sobrou de bom é que a velha Matriz está conservada e há alguns casarões também conservados, como estes da foto. O que abriga a Secretaria da Cultura (Casa do Porto) já dá sinais de deterioração. Se continuar no abandono que está o futuro deste casarão não é nada promissor.